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» Lírio Zanchet

Fechou-se o livro da história política do município

Com a morte abrupta do ilustre frederiquense Nelso Pigatto, foi arrancada a última página do livro que inseria a história política do município de Frederico Westpalen, sua emancipação, os primórdios e os pioneiros que fizeram deste Barril a Princesa do Alto Uruguai. Era o último dos componentes da Comissão Emancipadora, composta por Augusto Tagliapietra, Dr. Alcides Cerutti, Dr. Ennio Flores de Andrade, João Muniz Reis, Alfredo Haubert, Lindo Angelo Cerutti, Nelso Pigatto, Arizoly Martelet, liderados sempre, conforme depoimento insuspeito do Dr. Ennio, pelo insuperável Pe. Vítor Batistella. E não se pode esquecer também o papel relevante de outro frederiquense, o Vergínio Cerutti, considerado “precursor da emancipação”.

Nelso Pigatto pode-se afirmar que foi o político exemplar, completo, autêntico, sem nunca ter usufruído de cargos públicos. Sua vida particular, se permitirem a imagem literária, poderia dizer que foi gerado dentro de um caminhão. Percorreu este Brasil inteiro na boleia, onde desenvolveu uma personalidade enérgica, afeita aos dissabores da vida, conhecimentos enciclopédicos, agudeza nos negócios e perspicácia diante dos problemas da sociedade. Daí se explica que ele conseguiu atuar em inúmeras frentes sociais, sem ter sentado em bancos universitários.

Expert em caminhões, criou a agência da Mercedes-Benz em Frederico Westphalen, constituindo, junto com mais outras quatro agências de automóveis, Frederico Westphalen um polo econômico rodoviário regional. Conhecedor como ninguém, o que era trafegar sobre o asfalto e enfrentar barro vermelho, auscultou o plano do governo da Revolução de ligar o pais através de rodovias pavimentadas. Percebendo que uma reta ligaria Sarandi a Chapecó, desviando a região do nosso Município, partiu para um mutirão, coagindo a Comissão Federal a incluir Frederico Westphalen na rota asfáltica. O resto da história, todos conhecem.

 

Um dos apanágios da personalidade do Nelso Pigatto era se enfiar em todo o movimento e entidade que pudesse trazer benefícios para a Cidade. Mesmo sem ter cursado Faculdade, fez parte da diretoria Fesau-URI, que criou o ensino superior, sendo no momento da sua morte, Presidente ainda da Entidade Mantenedora. Naqueles tempos bicudos, em que não existia telefone automático, o transporte deixava muito a desejar, ele era o encarregado de levar ao MEC, em Brasília, a documentação pertinente da nossa incipiente Faculdade de Letras, na cabine do seu caminhão, a fim de se agilizar os processos e baratear custos. Fez isto sempre gratuitamente. Os responsáveis de hoje, dificilmente entenderão as dificuldades de ontem, já que atualmente tudo se processa ‘on-line’.

Arrojado empresário, ergueu o Hotel Colina Verde e estava para inaugurar Indústria de água mineral, mais um empreendimento que ajudará a alavancar a economia da Região. Movimentos sociais, como o Lion’s, estava metido em todos, não deixando de dar a sua mãozinha política, sem espalhafato, mas decisiva, sempre visando o desenvolvimento da Cidade. Eis um exemplo para muitos jovens profissionais se espelharem. A história da Região não poderá ser escrita, omitindo-se o nome PIGATTO. E para emprestar um tom jocoso à minha coluna, contam (a piada pode ser verdadeira) um episódio hilário que revela a meticulosidade e organização do Nelso. Certo dia, ao adentrar o seu escritório, reclama da secretária: “Onde está minha caneta?” A funcionária responde: “Ora, seu Pigatto, está na sua orelha”. Imperturbável, o patrão continua: “Em qual delas?”... Na missa de Réquiem, o monsenhor Leonir lembrava o ato generoso do seu Nelso, enviando ao colega Lindo Cerutti uma coroa de flores, em nome dos emancipacionistas, com as palavras: “Não tenho muita pressa em te fazer companhia”... Deus o levou na hora oportuna!

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