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» Marcos A. Corbari

Comer é um ato político (2)

Recebi uma crítica via rede social a respeito de meu último texto. Detratores da agroecologia e ufanistas do veneno questionaram minhas palavras e deram a entender que não tenho direito a questionar o modelo de desenvolvimento da agricultura no país por não ser um grande conhecedor ou pesquisador do assunto. Volto ao tema, porque entendo ter todo o direito de me preocupar e questionar a respeito da origem do alimento que chega até a mesa de nossas famílias.

Minha crítica não se estende apenas à monocultura, extremamente dependente do veneno. O pequeno produtor que atua de modo convencional também é multiplicador da cultura do veneno. Para não ficar apenas no âmbito interpretativo vou em busca de algumas referências, explicitadas em texto da agência O Globo. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) lançou documento sobre os riscos dessas substâncias para a saúde, tanto para o agricultor quanto para o consumidor. A ideia é aumentar a regulação e o controle, além de incentivar alternativas mais sustentáveis. “Desde 2009, o país é o maior consumidor mundial dessas substâncias, com uma média de um milhão de toneladas por ano, o equivalente a 5,2 kg de veneno por habitante. Para se ter ideia, a média dos EUA em 2012 era de 1,8 kg por habitante. (...) Nos anos 80, o brasileiro era exposto a menos de 1 kg de agrotóxico por habitante. Os principais responsáveis por este aumento são os transgênicos, que requerem grandes quantidades de pesticidas. Por isso, são as lavouras de soja, cana-de-açúcar e outras commodities que lideram o ranking de uso de agrotóxicos. Na agricultura familiar, tomate, pimentão e jiló estão entre os campeões”.

O pesquisador do Inca, Luiz Felipe Ribeiro Pinto, é uma das fontes consultadas no texto e afirma: “A evolução tecnológica e produtiva não pode ser ‘ad infinitum’ uma desculpa para o uso de agrotóxico, às custas da saúde da população”. Afirma ainda que, em média, 280 estudos são publicados em revistas científicas internacionais anualmente estabelecendo a relação entre câncer e pesticida, número quatro vezes superior ao de duas décadas atrás.

Numa coisa meus críticos têm razão: não sou dono da verdade, nem grande conhecedor técnico do assunto. Do alto de minha insignificância e do meio de minha severa limitação intelectual, apenas percebo ser consumidor de alimento e me preocupo com o veneno que mesmo sem saber coloco na mesa de minha família. Independente da denominação que segmentos ideológicos possam expressar, reconhecidos ou não por legislações interpretativas, compreendo que a palavra “veneno” ainda é a que mais se enquadra para descrever o que acabamos consumindo junto com os alimentos de procedência duvidosa que manipulamos em nosso lar. Portanto, comer assim como produzir, é um ato político sim.

As informações citadas neste texto foram buscadas na Agência O Globo, compiladas pela jornalista Flávia Milhorance, em matéria de abril passado.

O texto integral está disponível no link:  http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/brasil-lidera-ranking-de-consumo-de-agrotoxicos-15811346#ixzz4HU9NMMw2

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