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» César Riboli

O mundo da inovação

Nos dias de hoje, vemos com muita ênfase e preocupação a busca pela inovação a qualquer custo. Somos todos questionados sobre o que estamos inovando em nossas ações. Um mundo do consumo e da ilusão. Isso acontece, pois muitas vezes, acreditamos que tudo o que temos, fazemos ou está ao nosso alcance já é obsoleto ou imprestável para o mundo contemporâneo que vivemos. Talvez a síndrome da inovação buscada a qualquer custo, seja inspirada na ansiedade e na convicção de que o ser humano seja capaz de transformar as coisas por um estalar de dedos.

Acontece que inovar não é necessariamente criar algo novo. Inovar também é partir do conhecimento posto, existente, para torná-lo mais útil e assim atender as necessidades humanas de uma forma mais eficaz e proveitosa.

Da concepção difundida pelo Instituto de Ciências Biomédicas da USP/SP, inovação em sua noção mais abrangente, significa novidade ou renovação, aplicada aos inúmeros aspectos relacionados à criatividade humana. Assim sendo, é coerente a concepção de Christopher Freeman, que associa inovação como criação do novo ou de melhoramentos do existente.

A partir do exemplo japonês, é possível compartilhar com essa concepção. Após total destruição com a guerra, o povo japonês passou a buscar as coisas para garantir a sobrevivência através do uso comum de bens, equipamentos e máquinas. Foi, portanto, a partir do já existente e de sua utilidade que eles tomaram a decisão acertada, melhorar todos os processos para tornar os bens e serviços mais adequados para as novas necessidades. Então, foi a partir de um modelo existente que a inovação, ligada a uma concepção de aperfeiçoamento, que o Japão passou a ser referência no conhecimento científico e tecnológico para o mundo todo.

Das sábias lições que Zygmunt Bauman nos deixou, podemos fazer algumas reflexões. Ele afirma que na ansiedade agoniante imposta pela sociedade moderna, de consumo e iludida, a necessidade criada de premente inovação chega a levar empreendedores a demitir funcionários, mudar produtos bem-sucedidos unicamente com o propósito de demonstrar para a sociedade que estão sempre inovando. Necessidades artificiais, criadas na sociedade de consumo na modernidade líquida.

Algo muito singelo poderia afastar a angústia e a ansiedade pela inovação, para que possamos ser reconhecidos enquanto inovadores. Basta compreendermos que querer inovar e melhorar o que existe não está tão distante como muitos pensam. Isto porque, é a partir do conhecimento existente que pesquisadores e inventores produziram coisas novas.

Assim, entendo que inovar não é diferente de melhorar, de aperfeiçoar, pois é a partir do conhecimento, das experiências, do desenvolvimento tecnológico existente que construiremos novas alternativas que possam tornar os avanços científicos e tecnológicos como instrumentos à disposição de uma melhor qualidade de vida sem exclusão social. Então, menos angústia, menos ilusão, vamos simplesmente tentar ser melhor pelo próprio esforço.

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