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Leitor Interativo
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» César Riboli

A crise na segurança pública

Os últimos episódios que aconteceram em diversos Estados brasileiros, como foi o caso das rebeliões em presídios e da greve de policiais, associada à violência urbana crescente e descontrolada, têm revelado uma grave crise na segurança pública, a maior dos últimos tempos. Esta crise, de um lado, tem revelado um comportamento de pânico e desespero geral da população. Por outro, o Estado parece atônito, sem saber o que exatamente deve ser feito para estancar a crise.

Nosso Estado é que está em crise, disso ninguém tem dúvidas. A crise é econômica e financeira, é de falta de emprego, de má distribuição de renda, de falta de trabalho e, principalmente, de falta credibilidade dos nossos governantes e parlamentares a nível nacional. A crise é da República e da democracia, acima de todas as crises que vivemos atualmente.

Por isso, não se pode falar da crise da segurança pública de forma isolada, dissociada das demais crises, especialmente, sem relacioná-la com a crise de nossa República e de nossa democracia. Se a República significa a forma de governo que representa cidadãos, que é eleito por eles e de que democracia é governo em que o povo exerce a soberania, a conclusão é só uma, estamos em crise sim, o governo não nos representa e o povo não exerce a sua soberania.

Como consequência, a crise na segurança pública passou a ser considerada pelas pessoas como um problema crucial e o principal desafio a ser resolvido pelo Estado brasileiro. Essa visibilidade pública que a segurança ganhou atualmente, jamais em nossa história recente, se mostrou tão presente nos debates políticos, entre especialistas, na mídia e na população em geral.

É claro que sempre houveram assassinatos, furtos, roubos, assaltos, tiroteios, arrastões e mortes, mostra do resquício animal incrustado no ser humano. Entretanto, não na dimensão que vivenciamos atualmente. As pessoas, além de assustadas, se sentem reféns em suas residências. É hora de o Estado exercer uma das suas principais funções, a de proteger a população.

Penso que é momento de profundas reflexões e de mudança de atitude, não só por parte do Estado, mas principalmente por parte das pessoas. Apenas construir presídios e prender pessoas não resolve, já temos a quarta maior população carcerária do mundo. Segundo o Ministério da Justiça, temos 622 mil pessoas presas e uma capacidade de 371 mil vagas nos presídios. Falta presídio, com certeza sim, os números nos dizem essa verdade. Outro índice divulgado pelo Ministério é que de 2000 até hoje nossa população carcerária dobrou em número.

Esta sensação de insegurança e pânico tem também muito a ver conosco. Vivemos a cada dia em uma sociedade individualizada, em crise de identidade, cada vez mais nos preocupamos em salvar o nosso nariz. É certo que muitos políticos, aliás, os principais do país são responsáveis pela crise de confiança nas instituições, entretanto, o individualismo da sociedade moderna também é fator decisivo no aumento da insegurança pública.

Vejo com preocupação a união cada vez maior dos bandidos, em facções, quadrilhas, grupos armados, entre outros. Porém, não vejo unidade, união de forças das pessoas para combater a violência e as causas dela. Nosso mundo da individualização nos reservará ainda outras tantas faturas caras no futuro se continuarmos a produzir uma sociedade individualizada.

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