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Des(encontros)

Embora tenhamos a tendência de querer controlar o destino das coisas, o fato é que a vida é plena de encontros e desencontros, e não temos o poder de dar rumo às coisas, pessoas e sentimentos, pois o movimento da vida não depende exclusivamente de nossa vontade. O tempo é inexorável e nos faz ter pressa na busca de equilíbrios, harmonias e simbioses, mas sabemos que nem sempre a história é assim, pois ganhar e perder faz parte da evolução do ser humano. Encontros e desencontros não estão necessariamente relacionados a pessoas, mas ampliado a lugares, profissão, projetos de vida, sabores e maneiras de ser. Existe um tanto de apego e desapego que marcam esses encontros, que podem ser breves e maravilhosos (são aqueles momentos que desejamos que fossem eternos, do tipo “congela tudo que eu quero ser feliz”) ou não tão bons assim, mas sempre válidos, no mínimo para não repeti-los. Nesse caminho conhecemos pessoas que nos modificam e contribuem para nossa reforma íntima, e outras que nos destroem. Há pessoas que surgem como anjos e desaparecem por magia. Já, outras que nos acompanham por uma vida inteira e, apesar de não terem os encantos angelicais, nos amparam sempre que necessário. Somos ciosos da brevidade dos instantes, assim, devemos aproveitá-los o melhor possível. Capturá-los com a alma e não ficar pensando em quando irão findar. Artur da Távola diz que há sempre um "E depois? após cada felicidade. Há sempre uma saudade na hora de cada encontro. Antecipada. Disso só se salva quem se cura, ou seja, quem deixa de estar feliz para ser feliz, quem passa do estar para o ser”. Então, a ideia é viver plenamente o presente, sem ficar conjugando futuros, pois “Se o instante é tudo o que há e ele é inapreensível, é preciso, pelo menos, tentar comunicá-lo” (Richard Shepard). Por isso, não é de hoje que o mundo da arte e da comunicação se ocupa em capturar, registrar e descrever vivências através de pinturas, fotografias e textos. Clarice Lispector chamava esse tipo de registro de “instante-já”, ou seja, a fração de segundos em que a vida se manifesta, sendo impossível apreendê-la, “O que te digo deve ser lido rapidamente como quando se olha”. Mas, o melhor registro de momentos ainda é o da alma, e que coisa boa poder retê-los e rememorá-los a nosso bel prazer, pois são muito nossos. E para evitar as armadilhas dos desencontros, basta se entregar e não titubear com ausência de palavras, orgulho ou medo. Basta fazer trocas espontâneas e deixar de lado discursos preparados. Basta aguentar o silêncio que um olhar às vezes provoca e saber interpretar os sinais não verbais. Assim, quando um encontro lhe bater à porta, com um pedido de chegada, será mais fácil abraçá-lo, mesmo sem saber quando vai ir, pois “A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida” (Vinícius de Moraes).

Bons Ventos! Namastê.

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