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Cura da alma

O mantra atual da sociedade é o culto ao corpo, que sem dúvida é meritoso, pois estamos vivendo mais do que outrora, logo, a ideia é ter mais qualidade de vida aliando uma aparência agradável com boa saúde. Contudo, os males da alma, que tanto afligiam os poetas na fase literária do Romantismo, ainda perduram desvelados em tristezas, vazio interior e depressões. Por que disso? Talvez, culpa das relações modernas, cuja característica marcante é não se doar e manter-se a uma distância segura do outro. Parece que agora é feio dizer que se gosta e é tanta precaução para não se frustrar, que acabamos morrendo de medo uns dos outros, pois tememos nos arriscar. Daí, deixamos de convidar para sair. Deixamos de telefonar, mas esperamos receber uma ligação. Deixamos de viver, pois a regra é do “não apego”. Se comprometer com alguém então, chega a ser insano. Muito desse comportamento ocorre devido a decepções antigas que inevitavelmente temos medo de reviver. Desse modo, a complexa teia das relações humanas vai ruindo e se alimentando de fragmentos de nostalgia, pois às vezes é mais seguro viver no passado do que lidar com o presente. Enquanto isso, a alma vai penando na medida em que o corpo lhe obriga a não sofrer, pois a sociedade exige que sejamos fortes, competitivos e resilientes. Mas, “Cuidado com a tristeza. Ela é um vício” (Flaubert) e quando estamos mergulhados nela, ninguém consegue ter a clareza de entender o quanto ela fala e corrói. Então, como curar a alma que está como a solidão de um cego? Tudo começa por se perceber e se entender para então se gostar. Pois, como gostar do que não compreendemos, no caso nós mesmos? Já dizia o Oráculo de Delfos, na Grécia Antiga: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo”. Ter uma crença religiosa também fortalece a fé, pois nos permite rir e chorar sem ter vergonha, na medida em que esses sentimentos costumam aparecer sem avisar. Certamente que identificar o que nos faz triste é fundamental no processo de cura, assim como nos libertar da culpa e saber quais gatilhos acionam nossas feridas. Fugir não adianta. O jeito é olhar de frente para dor e desenhá-la sem deixar tatuar a alma. É preciso olhar a dor de peito aberto, sem mágoas e com amor seguindo o ditado budista “Não se apegue, nem rejeite. Então, tudo será claro.” Pois, são justamente as fugas da dor que nos fazem reféns da prisão interior que nos impingimos mesmo sem saber. Fugir dessa clausura não é tarefa fácil, mas ajuda quando focamos no agora, pois “Dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente” (Sêneca). Osho ensina que a vida fica mais leve quando focamos no presente, pois assim, tiramos a tensão da mente. Voltando ao início do texto, o medo está impedindo a entrega conosco e com o próximo. Mas, a entrega está no presente, então... Deixe as consequências para o amanhã. Incrivelmente, dedicamos mais tempo construindo muros do que investindo em pessoas e esta é a raiz causal de nossa miséria.

Bons Ventos! Namastê.

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