O triunfo da perversidade
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sexta, 31 de janeiro de 2025

Sisudo cowboy, rodeado de magnatas trilionários, comparece, com cara de assustado à cerimônia de posse de ministro da segurança. Vai comandar fabuloso complexo militar composto de um milhão e cem mil soldados, parte deles servindo a pátria em outras pátrias, o Pentágono, a Agência de Espionagem, uma poderosa polícia federal. Trata-se de arrasadora máquina de guerra. Para movimentá-la disporá de oitocentos biliões de dólares. Os Estados Unidos sempre se consideraram ameaçados. Em razão desta nefanda psicose no século dezenove declararam guerra ao México e abocaharam dois terços do seu território. Desde o final da segunda guerra mudaram, pela fora militar, o rumo de 39 países.

Em pé, na frente do todo poderoso presidente que acabava de ser empossado, levanta a mão direita enquanto segura a Bíblia com a mão esquerda. O juramento de fidelidade é rigorosamente solene. Por isso, repete os termos ditos pelo mestre de cerimônias. Promete ser fiel ao presidente, defender os estados Unidos de toda e qualquer manifestação de ameaça. Disse que os Estados Unidos não promovem guerra, mas se qualquer inimigo incomodar será destruído. Dentre as ameaças estão os imigrantes que serão abordados como inimigos e criminosos.

Mal tomou posse este poderoso xerife, começou implacável caçada. O cruel presidente determinou que fossem vasculhadas escolas, igrejas, locais de trabalho, moradias. Não era necessário pedir licença para entrar. Quem fosse encontrado sem documentação legal era algemado e acorrentado. Crianças americanas filhas de imigrantes foram incluídas na caçada. Deportação em massa, esse foi o limite determinado pelo psicopata ungido como presidente.

Fazia parte do cerimonial, o presidente e ministros, no dia seguinte à posse, participar de missa festiva onde e quando seriam recebidos com hinos religiosos. Todos exibiam pose de deuses. Nietzsche, em 1900, disse que Deus morreu. Os homens o mataram. Nesta missa teatral apareceram os assassinos de Deus. No alto do púlpito, uma mirradinha Bispa invocava o verdadeiro Deus revelado por Jesus de Nazaré para dizer que faltosos existem em todas as igrejas, partidos, clubes, escolas e pedia que os perseguidos pela fúria do novo governo fossem tratados com respeito e compaixão. Enquanto a Bispa falava das benaventuranças como ingredientes necessários da sociedade humanizada, o presidente mostrava-se furioso. Jamais teria imaginado que uma mulher se dirigisse a ele com tanta altivez. Ele, que desejava ouvir sermão de consagração de si mesmo, levantou-se e saiu resmungando. Imaginando-se Deus determinou que a Bispa se humilhasse e pedisse desculpas pelos incômodos que lhe causou ao pedir compaixão em favor dos miseráveis que estavam sendo caçados. Em seguida, pastor luterano, vestindo traje talar, desafiou o poder dizendo que na paróquia onde ele serve o povo ninguém entraria para caçar imigrantes.

No mundo todo ocorreram manifestações de repúdio às perversidades do novo governo. Milhões de pessoas ainda sensatas se indagam como é possível homem mortal imaginar-se tão poderoso. Ele também descendente de imigrantes. Sua avó entrou nos estados Unidos como imigrante clandestina, pobre, à procura de outro mundo para sobreviver. Sua mãe deixou escrito confidência sobre o futuro do filho caso se envolvesse com a política. Disse que se tornaria um homem perverso.

Outras milhões de pessoas que ainda conseguem serem sensatas se indagam como é possível a Bíblia, a religião, Deus serem manipulados, sem nenhum escrúpulo, como ferramentas de poder. Como é possível a hierarquia da Igreja Católica americana ter se tornado parte deste teatro político. O que o cruel Herodes fez com os meninos de Belém, este governante está fazendo com as crianças a quem se nega o direito de serem parte da pátria construída pelos imigrantes. O que Hitler fez com seis milhões de judeus o governo americano está fazendo com dez milhões de imigrantes e filhos de imigrantes. Hitler determinou caçar todos os judeus que fossem encontrados em qualquer lugar, em qualquer país que, em seguida, invadiu e destruiu, como quer o novo ministro da segurança ao dizer vamos destruir os inimigos.

Mais incrível, ainda, é encontrar brasileiros católicos entusiasmados com este transbordamento de perversidade. Gostariam que a demoníaca receita das maldades daquele governo fosse aplicada aqui. É preciso prestar atenção ao que o Papa Francisco diz: “esta política que mata não pode ser aceita. Ela está levando a civilização à morte”.

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