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Lana Campanella
Lana Campanella

Professora universitária.

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Ativismo global em prol da localização

Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 30/05/2020

Acostumados que estamos a consumir produtos originários de várias partes do planeta, pode nos causar estranhamento ou ideia de retrocesso nos voltarmos para a economia local, da cidade, do bairro ou da rua. A ilusão que a globalização evocou, com suas grifes ostentadas por modelos famosos em comerciais milionários, saciou a busca por status de muita gente. Bastava uma borrifada de perfume francês e já nos sentíamos acima do bem e do mal. No rastro do perfume, bolsas de valor elevado, onde ironicamente se pagava para ser "garota-propaganda" da marca. No café da manhã, já não cabia mais o doce de leite artesanal, trocado por promessas de que o doce do país vizinho era o melhor. Assim, fomos deixando no esquecimento tanta coisa boa, gostosa e cheirosa por modismos e embalagens mais atrativas do que um embrulho com papel de pão. Agora, confinados e obrigados a seguir a cartilha do que é possível consumir, voltamos a experimentar o sabor inigualável dos produtos artesanais, da cuca caseira da padaria da esquina, da pizza de massa leve e com recheios honestos do pequeno fabricante, e por aí vai. Tal como filhos pródigos, batemos à porta de maneira tímida, encontrando o generoso acolher de quem sempre esteve ali, produzindo seu quinhão com qualidade e dedicação. O retorno ao consumo local – iniciado antes da pandemia –, trouxe à tona pensamentos sobre "localização", cunhados nos anos 80 por Helena Norberg-Hodge, pioneira do movimento da economia local. Para saber mais sobre o trabalho da Helena e como tudo começou, indico a leitura do artigo "O Futuro Possível", de 23 de abril (medium.com/@futuropossivel?source=). Os vários grupos promovendo a economia local nas redes sociais já dão indícios de uma cultura que veio para fincar raízes na criação de microssistemas atendendo por proximidade. Essa prática permite "um lugar ao sol" para quem se habilitar e diminui a concorrência uma vez que a ideia é fomentada em atitudes colaborativas e sustentáveis. Sempre importante frisar que o mercado não tolera mais engodos – de grandes ou pequenos estabelecimentos –, primando por relações éticas e justas. Na troca colaborativa em que dou preferência em comprar no bairro/localidade em que resido, devo ter o respeito do comerciante em me ofertar produtos com qualidade e preço justo. Nada de economizar no queijo da pizza usando "queijo fake" ou transformar o que era um legítimo molho italiano em sachês de tomates refogados. A economia não deve chegar aos insumos, do contrário, melhor encerrar os trabalhos. A competição que virá, como esse "Novo Mundo", será saudável e benéfica, baseada em solidariedade, honestidade e respeito. A economia solidária criou novas formas de dialogar nas organizações e os modelos de gestão, inevitavelmente serão alterados como forma das empresas se manterem ativas, aliado a um estilo de liderança mais humanizado. A Matrix se quebrou e não há mais conserto. Oportunidade de deixar o ostracismo de lado e se reinventar.

Bons Ventos! Namastê!

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