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Lana Campanella
Lana Campanella

Professora universitária.

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Pandemia, pobreza e patifaria no reino

**Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 04/07/2020

Na minha cidade, esbarramos com moradores em situação de rua a cada meia esquina e a realidade do que chamamos de “favela” não se refere a casas simples em bairros da periferia, mas à absoluta pobreza de barracos palafitados em lixões e esgotos, que correm a céu aberto. Não existem ruas e o cenário é de total desolação, onde crianças se alegram, correndo maltrapilhas e de pés descalços, junto aos cães que as adotam. Efemérides como a Páscoa, o Dia das Crianças e o Natal relembram, por meio de campanhas sociais, daqueles que sentem fome o ano inteiro. O frio também desperta a mobilização por campanhas do agasalho e a abertura de novas vagas em abrigos para os chamados “mendigos” que, segundo o dicionário, se refere aos indivíduos que pedem esmolas e que vivem da caridade alheia. Agora, com a Covid-19, como estão sobrevivendo essas pessoas que a sociedade e a mídia fingem ser invisíveis? Como exigir que sigam protocolos de conduta higiênica frente à pandemia, se faltam necessidades essenciais à sobrevivência, como o alimento? Se o saneamento básico é algo muito distante de suas realidades, sendo o banho um luxo? O Censo de 2019, apontou que 24.344 cidadãos moravam nas ruas das cidades brasileiras (www.ibge.gov.br). Pessoas que, em virtude do grau de desnutrição, péssimas condições de higiene e doenças pré-existentes se tornam potenciais vítimas da pandemia, com altíssimo poder de transmissibilidade da doença. Em entrevista concedida à Gazeta do Povo, o Diretor da FGV Social, Marcelo Neri, comenta que na pré-pandemia existiam 24 milhões de brasileiros que trabalhavam por conta própria e 18 milhões de empregados sem carteira assinada. Deste contingente, 23 milhões recebendo até R$ 250 per capita ao mês. Agora, com a recessão de 2020, a pobreza vai avançar nas classes D e E enquanto a classe C será encolhida, reforçando a tese da necessidade de agendas voltadas ao desemprego e políticas de combate à pobreza, além da transferência de renda, observa o economista Lucas Assis, analista de macroeconomia da Tendências Consultoria. (https://www.gazetadopovo.com.br/republica/pobreza-desigualdade-social-brasil-covid-19/). Em meio a essa conjuntura escabrosa da pandemia e da pobreza, podemos somar um outro “P”, de patifaria, sobre os estelionatos decorrentes de gente que mentiu deliberadamente estar em situação de vulnerabilidade para receber o auxílio emergencial de R$ 600. Segundo um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), há o risco de 8,1 milhões de brasileiros terem recebido o valor indevidamente no que o Ministério da Cidadania adverte que serão punidas irregularidades decorrentes de informações falsas e, imediatamente informadas à Polícia Federal, à Controladoria-Geral da União (CGU) e à Advocacia-Geral da União (AGU) – Estadão Digital de 03/06/20 (https://digital.estadao.com.br/o-estado-de-s-paulo). A escória da sociedade dá de ombros para a peste e graceja em um sorriso cínico seu novo golpe. Não existe escrúpulo na selvageria, quiçá, temor às leis do homem e às divinas, como os preceitos contidos nas Parábolas Apocalípticas “do Semeador” e “do Joio e do Trigo” (Mateus 13:18-30). Boa colheita aos homens de bem e clemência aos que se encontram perdidos na ignorância mundana.

Bons Ventos! Namastê.

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