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09 - Consulta Popular
Lírio Zanchet
Lírio Zanchet

Professor aposentado e empresário.

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A pátria de bombachas

**Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 19/09/2020

Comemoramos no 20 de setembro, o levante gaúcho contra o governo imperial. As causas são várias: os estancieiros reclamavam das altas taxas cobradas sobre o charque, maior produto de exportação e que alimentava boa parcela dos escravos de São Paulo e Minas. As ideias republicanas que germinavam no mundo, semeadas pela Revolução Francesa, pregando “liberdade, igualdade e fraternidade” na contramão das Monarquias absolutistas. E no Brasil, o fraco desempenho do Império, comandado pelo infante Dom Pedro II. Foram 10 anos de guerra, de 1835 a 1845, quando foi selada a paz, após a derrota rio-grandense de Ponche Verde. Na luta, nossos 3,3 mil farrapos enfrentaram as tropas de Caxias, com 12 mil soldados.

Fomos derrotados, mas nem sempre se vence na vida. Amargamos, junto com o amargo do chimarrão, as desastrosas consequências econômicas. Segundo o Google, 47.829 perderam a vida. O próprio nome farrapos espelhava a melancólica imagem das nossas fardas. Mas ficou o sabor doce da independência contra a má gestão de políticos egoístas. Já naquela época, ficava claro que o imenso território nacional seria ingovernável, se tudo estivesse centralizado na capital. Constituímos um Estado que foi às aulas, mas não aprendeu a lição, com 80 anos de Monarquia e 120 de República. Algo a destacar, o fato da região italiana homenagear inúmeros municípios com os personagens da Revolução: Caxias, Bento Gonçalves, Garibaldi, Davi Canabarro e Farroupilha.

Não se pense, contudo, que a igualdade, um dos pilares ideológicos da Luta, teria florescido. O regime escravocrata sustentava as estâncias. Muitos de nossos líderes trocavam de lado, ao sabor das conveniências. Pode-se dizer que a dicotomia Gre-Nal já frutificava. Não se observava uma linha de unanimidade nos objetivos. Há quem propugnasse apenas um tratamento mais justo por parte da União. Outros se batiam pela separação radical. Terceiros havia que imaginavam uma República Sulista, englobando o Uruguai e parte da Argentina. Os interesses individuais se sobrepunham aos objetivos comuns. Prova eloquente é que (não afirmo que esteja errado) hoje NENHUM partido se repete no Piratini.

Os dois maiores comandantes, Bento Gonçalves e Onofre Pires, chegaram a duelar, não apenas nos argumentos, mas até na espada, vindo Bento a falecer dias após. O presidente da Província (hoje denominamos governador do Estado) solicitou um armistício em porongos, desde que a União assumisse as dívidas do Rio Grande, libertasse os escravos alistados e garantisse a hierarquia nos postos militares.

A paz só foi selada em Ponche Verde, tendo Caxias, o chefe do Exército imperial, desempenhado um comportamento tão correto que, mais tarde, foi indicado Senador, pela Província que ele derrotara. Em 1947, foram criados oficialmente os CTGs que assumem a identidade cultural dos gaúchos, escopo garantido pela exteriorização e pelo folclore. Faltaria ainda uma confirmação ideológica dos sentimentos que se radicaram na Revolução Farroupilha, mas que não conseguem se solidificar na atualidade. Lembramos que décadas depois se engalfinham duas correntes, os Chimangos e os Maragatos. E Brizola, em 1961, deflagra a “Campanha da Legalidade”. Temo que rolará muita água ainda, antes que a grenalização do Estado seja desenraizada e dê lugar ao solidário fraterno. E, então, os gaúchos façam ecoar pelos pampas o brado: “Rio Grande, de pé pelo Brasil”.

O Mariottinho nos deixou – Neste 15 de setembro, João Alberto Mariotti, irmão de Darci Antônio, partiu para a eternidade, onde se encontrará com seu irmão e seus pais. Viveu intensamente sua vida pública e social. Foi vice-prefeito, presidente da Câmara, vereador, presidente do Ipiranga, cônsul e cônsul emérito do Internacional. Foi cidadão exemplar no convívio familiar e profissional. Permitam ressaltar uma faceta de sua personalidade: seu fanatismo colorado. Sem dúvida, o maior expoente rubro da cidade. Penso que os vereadores vermelhos poderiam sugerir o seu nome como patrono de uma rua no município. Se o Renato mereceu uma estátua na Arena, o Mariottinho é digno de legar seu nome a uma rua. Até com mais justiça. O Renato no Grêmio foi pago. Mariottinho agiu sempre de graça! E lá do alto que interceda junto a São Pedro, um título para o seu Inter.

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