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9 - coronavírus
Igor Senger
Igor Senger

Doutor em Agronegócio, professor da UFSM, campus de Frederico Westphalen

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Voltar tudo ao normal... Talvez este seja o problema!

**Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 10/10/2020

Durante esta pandemia, tivemos que conviver com algo completamente diferente para a maioria das pessoas, o isolamento social. Tivemos que permanecer em nossas residências, sem aglomerações, crianças sem escola e outras atividades, as empresas com contingenciamento de funcionários e clientes, e as relações interpessoais limitadas a uma tela e redes sociais. As festas, comemorações, bailes, shows, não acontecem há muito tempo.

Imagino que a maioria da sociedade está no seu limite com essa situação, que não deve estar sendo fácil para ninguém. É verdade que muitas inovações surgiram nesse período, a mesmice deu lugar à criatividade, e aquilo que parecia longe e distante, se tornou realidade. Infelizmente, nem todos os segmentos organizacionais conseguiram se reinventar.

Semana passada, minha colega da época do mestrado, que continua residindo em Minas Gerais, me contatou para fazer um convite, participar de um debate virtual com o seguinte tema: “O novo normal ou o normal de novo?”, referindo-se ao retorno gradativo das atividades neste momento de pandemia.

Realmente é uma pergunta inquietante. Confesso que fiquei e continuo muito pensativo sobre o assunto! Penso que não se trata de ter que ser um ou outro a resposta para tal indagação, pois tudo é uma questão contingencial. Para iniciar nossa reflexão, é necessário termos algumas definições. De acordo com o dicionário, NORMAL se refere à: conforme a norma; regular; que é comum e que está presente na maioria dos casos; habitual, natural, usual; tudo que é permitido e aceito socialmente.

É notório o anseio das pessoas de que a vida volte a ser como era antes da pandemia. Mas o que realmente é necessário que volte ao seu “normal”? Qual é o “normal” que queremos? O que podemos aceitar, enquanto sociedade organizada, como algo habitual e natural?

Acredito que a retomada das atividades produtivas, da economia, dos empregos e das atividades rotineiras das famílias estão entre os maiores desejos de que voltem ao “normal”. No segmento empresarial é perceptível que as mudanças proporcionadas pelo uso das tecnologias não terão mais volta, porque isso faz parte das transformações da sociedade, na maioria das vezes proporcionadas pelas inovações tecnológicas.

Entretanto, em uma sociedade dita como civilizada, independente de termos ou não uma pandemia, ainda convivemos com determinadas situações que estão longe de serem “normais”. Diversas estatísticas nos mostram os índices de violência, corrupção, poluição, crimes ambientais, de pessoas passando fome, da precária realidade da saúde pública, da falta de educação, entre outros, que nos alertam que tudo isso está muito distante de ser normal, do ponto de vista de ser socialmente aceito. Nesse sentido, como queremos que tudo volte ao normal, se este normal não é tão normal assim?

É nos momentos de crise que uma sociedade se une para superar as dificuldades. Quero acreditar que tudo isso que estamos passando sirva de alguma forma para nos fortalecer e nos tornar seres mais humanos. Que possamos retomar à normalidade das nossas relações interpessoais. Mas se é para voltarmos para um normal que não é normal, penso que temos que repensar nossas atitudes.

Forte e fraternos abraço, e um bom fim de semana!

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