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9 - coronavírus
Lírio Zanchet
Lírio Zanchet

Professor aposentado e empresário.

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Como equilibrar os mais iguais com os menos iguais?

**Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 17/10/2020

“Todos são iguais perante a lei” – está na Constituição. Mas os salários também são iguais? Prova que esta igualdade propalada é uma utopia. Deus mesmo criou os homens diferentes. Agora, existem desigualdades que clamam aos céus. São uma chaga mundial e vergonhosa. A civilização, ao longo da história, não conseguiu tornar mais estreito o vão que separa as camadas ricas da sociedade das porções pobres.

Na China comunista há bilionários que perambulam pelas lojas de grife de Champs-Élisées, em Paris, ou da Park Avenue, em Nova York, ao lado de miseráveis que passam fome em cantões recônditos. Na África do Sul um fosso escancarado separa os vendedores de diamantes dos moradores dos barracos de Soweto. No Brasil, a realidade se exibe em qualquer Estado. O estrato do 1% dos mais ricos concentra um terço da renda do país. A receita do 1% mais abastado é 85 vezes maior do que a dos 50% mais pobres. Na Europa a diferença é 25. A balança está descalibrada.

O generoso BNDS banca para os seus funcionários ‘módicos’ auxílios de R$ 2.114 para alimentação, R$ 1.225 para educação dos dependentes e R$ 1.481 para a saúde. É deprimente verificar o que os municípios, os Estados e a União gastam com o funcionalismo. Não que os barnabés não sejam merecedores dos salários. Mas se o erário não suporta mais a carga financeira, por que não desonerá-la? E quando se fala em privatização, os Congressistas se arrepiam porque só avaliam o quantum a medida poderá repercutir nas urnas.

Armínio Fraga declara que “não há contradição entre os objetivos de crescer e simultaneamente distribuir renda no Brasil”. Estão certos, tanto Lula quanto Bolsonaro em incrementar o Bolsa Família. O que se questiona é se o fazem por amor aos pobres ou por interesses eleitorais. Em 2019, o governo repassou R$ 350 bilhões em subsídios para a faixa de alta renda, enquanto destinou magros R$ 48 bilhões ao Bolsa Família.

Falam os economistas que “quanto mais pobre o país, mais fundo costuma ser o abismo entre cidadãos”. Pouco se faz na solução do desemprego. Conversa-se muito, mas sempre com viés demagógico. Pelas regras atuais, o empregador hoje é desestimulado a contratar, o que piora ainda mais as condições de quem precisa trabalhar (Apud Veja 22/7).

Sopram os ventos eleitorais. Quais os mirabolantes planos de governo? Com permissão dos experts, sugeriria três: Primeiro – nenhum cidadão sem casa. Segundo – nenhum cidadão sem remédio. Terceiro – nenhum cidadão sem ensino fundamental. Vivemos a pandemia do coronavírus. Como exigir máscara, lavar as mãos e distanciamento, se no barraco onde mora o vivente, não há água encanada e o esgoto desliza na frente da moradia? E o que exigir de uma pessoa doente? E quanto ao ensino, investir em educação não é construir escola e aparelhá-la com Kombi para o transporte. Os conteúdos devem ser uma exigência. No meu tempo de primário, as provas finais vinham lacradas da Delegacia de Cruz Alta. Os mestres tremiam mais que os alunos, pois o resultado revelava o índice do aprendizado. E havia escolinhas do interior melhor ranqueadas do que as da sede do município!!!

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