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Antonio Carlos Rossi Keller
Antonio Carlos Rossi Keller

Bispo da Diocese de Frederico Westphalen. Formado em Filosofia e em Teologia, com mestrado em Teologia, pela Pontifícia Faculdade Nossa Senhora da Assunção, de São Paulo, com especialização em Teologia Espiritual e Formação de Seminaristas, pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

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Fala Senhor que o teu servo escuta

**Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 13/01/2021

Iniciamos um novo “tempo” na Igreja, o Ciclo chamado “Tempo Comum”. Um período que começou na última 2ª feira e vai até a 3ª feira de Carnaval. Um tempo durante o qual somos convidados a viver a normalidade de nossos dias centrados no Mistério de Cristo, que vem ao nosso encontro nas coisas corriqueiras do dia a dia.  

Neste 2º Domingo Comum, a 1ª Leitura (1Sm 3,3b-10.19) nos relata a vocação de Samuel. Deus chama a uma criança, que inicialmente não entende o chamado, nem se dá conta de quem é Aquele que chama. Eli o auxilia a compreender que é um chamado especial e quem é Aquele que chama. Na Sagrada Escritura, o verbo utilizado neste texto, o verbo “escutar” (Samuel diz ao Senhor, orientado por Eli: “Fala Senhor, que o teu servo escuta) tem um sentido todo especial. Não é tão somente escutar com os ouvidos, escutar materialmente um som, uma palavra, mas este verbo significa acolher com o coração, deixar-se transformar por aquilo que se escutou, através de um comprometimento. Samuel acolheu este chamado de Deus e “foi crescendo. Deus estava com ele e nenhuma palavra deixou de cumprir-se.

A atitude de Samuel deve inspirar-nos. Ou seja, iluminados pelo exemplo de Samuel, nós também devemos sempre dizer a Deus nosso Pai, com toda a confiança: “Fala Senhor, que teu servo escuta”. Ou seja, cabe-nos nesta vida buscar sempre “escutar” amorosamente o chamado que o Senhor nos dirige. Este escutar, como já vimos anteriormente, deve significar muito mais do que simplesmente ouvir mecanicamente. É buscar a vontade de Deus em nossa vida.

Especialmente para aqueles que estão buscando em suas vidas o que Deus quer para eles, esta frase “Fala Senhor que o teu servo escuta” deve ser como que uma oração-refrão repetida inúmeras vezes. Fazer a vontade de Deus, em nossa vida é o princípio da verdadeira alegria.

No Evangelho deste Domingo, temos o encontro dos dois discípulos de São João Batista com Jesus. Eles foram motivados pelas palavras de São João Batista, que lhes apresenta Jesus dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo.” Estas palavras levaram João e André seguirem a Jesus.

Eles foram até Jesus, passaram uma tarde com Ele e depois disso, nunca mais O deixaram. Podemos imaginar a alegria que tomou conta das almas daqueles dois homens, que tendo conhecido a Jesus, não mais O abandonaram.

Em cada Missa, o celebrante nos apresenta, momentos antes da Sagrada Comunhão, a Sagrada Eucaristia, o próprio Jesus, utilizando-se das palavras de São João Batista: “Eis o Cordeiro de Deus, eis Aquele que tira o pecado do mundo.’ E nós vamos ao encontro do Senhor na Eucaristia para acolhê-lo amorosamente, para nos alimentar com Seu Corpo e com Seu Sangue. Para segui-Lo a cada dia de nossa vida.  

O encontro com Jesus produz em nossa vida efeitos de santidade. Na 2ª Leitura da Missa de hoje (1Cor 6,13c-15a.17-20), São Paulo nos recorda que “Quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito.” Ou seja, o ter escutado o chamado do Senhor, o ter respondido a este chamado, o ter ido ao encontro do Senhor, que nos propõe viver em comunhão com Ele, produz um efeito em nossa vida, de tal maneira que não existe mais espaço para o egoísmo, para buscar o prazer irresponsável. A vida nova em Cristo exige uma coerente luta para viver a pureza de um amor responsável e generoso. Não há mais lugar, na vida de quem procura viver a fé de forma autêntica para aquilo que nos afasta de Deus. “De fato, fostes comprados, e por preço muito alto. Então, glorificai a Deus com o vosso corpo.” Saibamos dar valor ao amor com o qual fomos comprados por Jesus, na Cruz.

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