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Elis Radmann
Elis Radmann

Cientista social e política. Fundou o Instituto Pesquisas de Opinião em 1996. Utilizando a ciência como vocação e formação, se tornou uma especialista em comportamento da sociedade. Socióloga (MTb 721), obteve o Bacharel em Ciências Sociais na UFPel e tem especialização em Ciência Política pela mesma universidade. Mestre em Ciência Política pela UFRGS e professora universitária, Elis é diretora e Conselheira da Associação Brasileira de Pesquisadores de Mercado, Opinião e Mídia (ASBPM) www.asbpm.org.br

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A sociedade gaúcha após a pandemia

**Os textos de colunistas aqui publicados são de sua total responsabilidade e não refletem a opinião do jornal O Alto Uruguai.

Publicado em: 17/02/2021

Ainda na série de análise da pesquisa “O Rio Grande após a pandemia”, neste artigo, sistematizo a percepção do setor produtivo gaúcho sobre a tendência da sociedade após a pandemia. O relatório dessa pesquisa está disponível no site da Assembleia Legislativa.

A pandemia impactou marcantemente o nosso cotidiano e alterou o nosso comportamento. De um lado trouxe consigo receios e medos, e de outro lado, ativou expectativas e motivou a esperança por dias melhores. Nesse contexto a principal inquietação é sobre a evolução política e participativa da sociedade gaúcha após pandemia.

A pesquisa avaliou a percepção do setor produtivo sobre três indicadores:

1º) qual será a avaliação da população sobre os gestores públicos?

2º) qual será o interesse da população sobre as decisões políticas?

3º) e qual será a tendência de organização da vida social dos gaúchos?

            Na percepção dos empresários a crença da população nos políticos não irá aumentar a curto prazo, tendo em vista que ela está associada à necessidade de execução de reformas políticas estruturais (como reforma administrativa e política) e do comportamento oportunista dos representantes do povo, que devem adotar uma postura mais voltada ao interesse público. Mais da metade dos entrevistados avalia que após a pandemia a credibilidade dos gestores públicos se manterá ou irá diminuir.

            Em relação ao indicador do interesse, os empresários avaliam que a pandemia ampliou a relação da população com os diferentes canais de informação da internet, permitindo um maior grau de acesso à informação. Por outro lado, os gestores públicos passaram a divulgar mais informações sobre suas ações. No olhar do setor produtivo, houve uma aproximação entre muitos gestores públicos municipais e seus cidadãos, o que ampliou o interesse pelas decisões públicas. Como a pandemia acelerou o processo tecnológico e a interação digital entre as partes, os gestores indicam que os prefeitos devem primar pela continuidade dessa evolução com o auxílio de portais de transparência mais amigáveis, aplicativos que facilitem a vida do usuário e sistemas de inteligência artificial que otimizem a execução dos serviços públicos.

            É importante registrar que o setor produtivo acredita que a sociedade será mais solidária no pós-pandemia. Acreditam que é latente o desejo de retomada da normalidade, que “todos temos saudade da vida que tínhamos antes”. A pandemia nos deixará com muitas marcas, seja pelas vidas que ceifou, seja pelo pânico que causou ou pelas perdas econômicas que gerou. Para o setor produtivo, a pandemia trouxe consigo a necessidade de resgatarmos a fraternidade, de lembrarmos que “uns dependem dos outros” e que é vital termos consciência de que a vida em sociedade existe para que haja cooperação e apoio mútuo.

            A maior preocupação do setor produtivo é com a ampliação da miséria nas cidades com economia frágil. Sendo primordial a atuação integrada entre prefeitos, governo do Estado e Federal, para que haja políticas públicas de apoio e fomento ao desenvolvimento e à geração de emprego e renda.

            Indo na carona da percepção dos entrevistados, devemos acreditar que a união será a principal conquista do pós-pandemia, que vamos voltar a abraçar o amigo e estender a mão ou dar apoio financeiro a quem está perto de nós e precisa de auxílio.   

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