Eu tenho vivido ao longo da minha vida, grandes mudanças estruturais no comportamento humano devido as mudanças tecnológicas que ocorreram nos últimos cinquenta anos. Porém, jamais vi um fenômeno tão alarmante como está ocorrendo agora através da Inteligência artificial a IA. À medida que a IA avança, ela se infiltra em diversas áreas da vida humana, desde o mercado de trabalho até as interações sociais e políticas, proporcionando benefícios inegáveis, mas também criando um cenário onde a essência humana está perdendo forças e caminha em ritmo supersônico para a desumanização.
A desumanização ocorre quando a presença ou o valor do ser humano é reduzido ou substituído por processos automáticos, muitas vezes em nome da eficiência ou da inovação ou a busca por produtividade e resultados. Em certos contextos, as máquinas, programadas para realizar tarefas com precisão e rapidez, iniciam a substituição de funções humanas, levando à perda de empregos, à diminuição do contato interpessoal e à desconexão emocional, pois as máquinas trabalham vinte e quatro horas por dia e não reclamam e nem faltam ao trabalho. A dependência da IA ??está criando uma sociedade em que as interações se tornam frias, impessoais e baseadas apenas em dados, sem considerar o panorama complexo emocional e subjetivo das pessoas.
A desumanização pela IA também se reflete na maneira como as relações interpessoais estão sendo moldadas. A interação humana direta, com suas sutilezas e profundidades, pode ser substituída pela comunicação mediada por tecnologia, em que as pessoas podem se sentir mais conectadas a dispositivos do que umas às outras.
O uso de algoritmos para determinar quem tem acesso a serviços, crédito, empregos ou a mesma justiça pode perpetuar e até acentuar desigualdades, uma vez que esses sistemas são programados para seres humanos e, consequentemente, podem refletir preconceitos, falhas e limitações de seus criadores. Isso resulta em uma nova forma de desumanização: a criação de sistemas de opressão que desconsideram as complexidades e as necessidades humanas, tratando indivíduos como números em uma planilha ou linhas o que delimita a importância cada vez maior da IA em detrimento ao ser humano.
O grande desafio, portanto, não é necessariamente impedir o avanço da IA, mas garantir que sua utilização seja equilibrada e exclusiva para o bem-estar das pessoas, respeitando a complexidade humana e promovendo uma convivência harmônica no ser de neurônio com o ser de algoritmos.
Até a próxima.
