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Saúde

Entre as causas para o crescente número, está a resistência da população em procurar atendimento médico, por medo da contaminação pelo coronavírus

Publicado em 28/05/2020, última alteração em: 28/05/2020 15:14.

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11 - Razia

Um total de 27,9% dos registros de óbitos feitos pelos Cartórios de Registro Civil do Rio Grande do Sul, desde a primeira morte por Covid-19, no dia 16 de março, teve como local o domicílio do falecido. Os dados fazem parte do novo módulo do Portal da Transparência do Registro Civil, lançado em maio, que disponibiliza as informações com base no local de falecimento atestado pelos médicos e está disponível no endereço COVID Registral (http://transparencia.registrocivil.org.br/registral-covid).

O Portal também mostra que, em comparação com o mesmo período de 2019 – entre 16 de março e 30 de abril –, foi registrado um aumento de 17,5% no número de mortes em domicílio em todo o Estado. Foi confirmado, também, o aumento de mortes em domicílios por insuficiência respiratória, septicemia, causas indeterminadas e demais óbitos por causas naturais, que somados, em 2019, foram 1.982 óbitos; em 2020, passou para 2.323.

Entre as causas para o crescente número, que se deu em todo o país, está a resistência da população em procurar atendimento médico, por medo da contaminação pelo coronavírus. O adiamento de consultas e exames não urgentes nesse momento é importante para evitar aglomerações nas casas de saúde, porém, o atraso no diagnóstico de algumas doenças pode ter graves resultados, é o caso para quem sofre de doenças cardíacas e também de câncer.

 

Covid-19 faz 70% das cirurgias de câncer serem adiadas

A pandemia provocada pela Covid-19 tem levado milhares de brasileiros a retardarem o diagnóstico, tratamento e até cirurgias de quem tem câncer. Estimativas das Sociedades Brasileiras de Patologia e de Cirurgia Oncológica revelam que, desde o início do isolamento social, cerca de 50 mil brasileiros deixaram de ser diagnosticados com câncer. Apenas no mês de abril, aproximadamente 70% das cirurgias desse grupo de pacientes foram adiadas.

Ramon Andrade de Mello, médico oncologista, professor da disciplina de oncologia clínica da Universidade Federal de São Paulo e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal), alerta que os riscos do adiamento do diagnóstico e tratamento da doença são maiores do que os do novo coronavírus. “Enquanto a Covid-19 tem índice de letalidade em torno de 6% a 10% nas pessoas acima de 60 anos, o câncer de pulmão, por exemplo, pode alcançar 99% dos pacientes em qualquer idade nos casos sem diagnóstico e tratamento corretos”, afirma.

O especialista ressalta, ainda, que qualquer adiamento deve ser conversado com o médico, que pode avaliar eventuais prejuízos. “Em muitos casos, o paciente não poderá adiar uma cirurgia ou iniciar quimioterapia. Uma espera de três meses, por exemplo, reduz significativamente as chances de cura”, explica o médico.

 

Problemas cardíacos preocupam em meio à pandemia 

O número de infectados pelo novo coronavírus nos hospitais só aumenta. Mas ao mesmo tempo, médicos têm notado uma redução significativa de pacientes com doenças que costumavam ser maioria nos corredores, como câncer e problemas cardíacos. A principal hipótese para esse "sumiço" é o medo de contaminação pelo coronavírus. A questão é que a chegada do frio também é um agravante para quem tem doenças cardiovasculares, podendo aumentar em até 30% os casos de infarto. Para esclarecer sobre esses dados, a reportagem do jornal AU entrevistou a cardiologista Alice Zanella Schmalfuss.

 

Entrevista:

AU – Houve diminuição na procura por atendimentos neste período de pandemia?

Alice Zanella Schmalfuss – No momento houve uma queda pouco significativa nos atendimentos cardiológicos. Vejo os pacientes já em acompanhamento muito conscientes e preocupados em seguir o tratamento da melhor forma possível, bem como outros pacientes buscando meios de prevenção das doenças cardiovasculares. Entretanto, de maneira geral, nas especialidades médicas que cuidam de pacientes menos graves houve sim uma redução nos atendimentos.

 

AU – Na entrada do inverno há um aumento de problemas cardíacos por conta do frio ou da mudança de temperatura?

Alice – Geralmente no período do inverno, devido às baixas temperaturas, ocorre um aumento no número de mortes ou complicações por doenças cardiológicas. Existem várias causas envolvidas, entre elas a de que o frio promove maior espasmo nas coronárias do coração, aumento da pressão arterial e a descompensação de doenças pulmonares, que podem afetar o coração.

 

AU – O perigo do infarto é maior diante do estresse emocional causado pelas preocupações e isolamento por causa do coronavírus?

Alice – O estresse emocional pode piorar doenças pré-existentes e causar o surgimento de outras complicações. O estresse emocional pode ocasionar aumento da pressão arterial, arritmias cardíacas e infarto. O aumento de peso devido à ingesta excessiva de calorias e a diminuição das atividades físicas pioram o controle da diabete mellitus e dos níveis de colesterol e triglicerídeos, favorecendo também para novas complicações. 

 

AU – Qual a importância de as pessoas com problemas cardiológicos seguirem seus tratamentos e redobrarem os cuidados neste momento?

Alice – Como temos visto ao longo dos quase seis meses de casos de Covid-19 no mundo, algumas pessoas são mais propensas a desenvolverem quadros grave da doença, e os pacientes portadores de doenças cardiológicas estão entre elas. Todas as doenças crônicas, principalmente diabete mellitus, hipertensão arterial, obesidade, doença renal crônica e asma devem estar bem controladas, por isso é fundamental um acompanhamento regular e frequente com seu médico assistente. Os riscos podem ser minimizados quando estas doenças se encontram bem tratadas.

 

Crédito: Divulgação

 

Procura por atendimento médico diminui cerca de 50% na região

Não apenas os acometidos por comorbidades mais sérias estão evitando circular nas casas de saúde. A população em geral tem adiado suas consultas médicas e procurado resolver problemas mais leves de saúde em casa, esse foi o resultado da pesquisa realizada nos 22 municípios de abrangência do jornal AU, com os secretários de Saúde das prefeituras. Foram, ao todo, 17 municípios que responderam os questionamentos e a diminuição na procura por atendimentos, principalmente, nos postos de saúde, foi unânime. Entre os municípios que citaram dados, a média da queda das consultas variou entre 40% e 60%, e segundo os secretários, há cerca de duas semanas a movimentação vem retomando de forma gradativa. “Estamos priorizando as urgências e emergências, mas todos que chegam na unidade de saúde estão sendo atendidos. Da para se dizer que caiu 50% a procura por atendimento”, comenta a secretária de Saúde de Novo Tiradentes, Núbia Cazarotto.

Algumas cidades intensificaram os protocolos de triagem para a retomada dos atendimentos. “Os serviços estão ocorrendo normalmente, sendo que acompanhamos os casos suspeitos em domicílio. Além disso, estamos realizando uma triagem para averiguar os sintomas dos pacientes. Priorizamos a emergência, mas ninguém está ficando sem assistência”, conta o secretário de Saúde de Pinheirinho do Vale, Inácio Dornelles, que também afirma haver uma diminuição de 40% na busca por serviços de saúde no município.

– Em Pinhal não paramos com os atendimentos, apenas criamos um protocolo de triagem para atender os casos que mais necessitam avaliação médica. Também salientamos que a própria população entendeu a situação de momento e não estão procurando o atendimento por qualquer sintoma. Acredito que dentro dessas condições e atendimento, o fluxo de pacientes da unidade básica de saúde deve ter tido uma diminuição de 60%, levando em consideração todos os profissionais da área da saúde – afirma o secretário de Saúde de Pinhal, Edemir Franquini Borges.

Ainda segundo a secretária de Cerro Grande, Jussara Campagnolo, a movimentação está sendo normalizada aos poucos. “Hoje, está praticamente normal, o povo está vindo à procura de atendimento, mesmo com nosso pedido de cautela”, explica. Pelo registro dos secretários, há cerca de duas semanas que a procura pelos atendimentos começou uma leve retomada, mas o pedido segue sendo pela conscientização da comunidade, para que só procure as unidades de saúde em casos de maior precisão, com o intuito de evitar aglomerações e proteger a população da Covid-19. “A gente pede que venha só urgência e emergência ou com sintomas respiratórios, o zelo é, principalmente, pelo grupo de risco”, finaliza o secretário de Saúde de Erval Seco, Ederson Wink.

 

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