PUBLICIDADE
9 - coronavírus

Covid-19

País não apresentou, no entanto, dados que comprovem a segurança e a eficácia do medicamento

Publicado em 30/07/2020, última alteração em: 30/07/2020 09:04.

Por:



11 - Em Cena - Centro de dança

O governo da Rússia afirmou que deve aprovar uma vacina contra o coronavírus em agosto. Autoridades do país disseram que trabalham para que o medicamento seja aprovado até o dia 10 do próximo mês. A vacina foi criada pelo Instituto Gamaleya, com sede em Moscou. Conforme o governo russo, ela será distribuída primeiro aos profissionais de saúde da linha de frente no combate à pandemia e, depois, à população. As informações foram divulgadas nesta terça-feira, 28, pela CNN.

No entanto, segundo a reportagem, a Rússia não divulgou dados científicos sobre os testes de vacinas e não é possível verificar sua segurança e eficácia. Há preocupação também com a possibilidade de que o teste em humanos ainda esteja incompleto. Atualmente, há vacinas sendo testadas pelo mundo, algumas delas já na terceira fase. A vacina russa, no entanto, continua na segunda etapa.

Os cientistas planejam concluir essa fase até 3 de agosto e, depois, realizar a terceira etapa dos testes de forma paralela com a vacinação dos médicos. Segundo o grupo, o desenvolvimento da vacina foi rápido porque ela é uma versão modificada de uma já criada para combater outras doenças. O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que soldados do país serviram como voluntários em testes em humanos.

As autoridades russas garantem também que os dados científicos sobre o medicamento estão sendo compilados e serão disponibilizados para revisão e publicação no início de agosto.

— A Rússia chegará lá primeiro — afirmou o diretor do fundo que financia a pesquisa russa de vacinas, Kirill Dmitriev.

De acordo com a CNN, ao contrário da maioria das imunizações em desenvolvimento, a russa se baseia em dois vetores, não em um, e os pacientes receberiam uma segunda injeção de reforço.

 

Promessa gera desconfiança

A notícia de que a Rússia aprovaria uma vacina contra o coronavírus na primeira quinzena de agosto causa alvoroço desde sua divulgação, nessa terça-feira, 28. Autoridades do país informaram que as doses, produzidas pelo Instituto Gamaleya, que tem sede em Moscou, estariam disponíveis para profissionais de saúde já no dia 10 do próximo mês. A informação, no entanto, gera desconfiança da comunidade científica.

As dúvidas pairam, principalmente, por que o país ainda não publicou em revista científica nenhum estudo que mostre os resultados das fases um e dois, praxe para o avanço para a última etapa, a terceira, na qual um número maior de indivíduos recebe as doses para avaliação de segurança e eficácia. Conforme informações da rede CNN, o imunizante russo estaria na segunda etapa, com previsão de conclusão prevista para 3 de agosto. A terceira fase, diz a rede, seria conduzida em paralelo.

O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, não acredita que seja possível cumprir esse prazo. Porém, completa, se a Rússia conseguir, dificilmente, uma agência internacional aprovaria as doses. “Mesmo que sejam estudos de fase dois ou três, precisa de alguns meses para cumprir o rigor científico. A meu ver, não há condição de ser aprovada por agências internacionais, como o Food and Drug Administration (FDA, órgão norte-americano similar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil, a Anvisa). Para mim, é fake,” fala.

Entretanto, pondera o médico, pode-se pensar na hipótese de a Rússia autorizar internamente a vacina, aos moldes do que fez a China ao liberar uma vacina experimental para militares.

 

Estudos na última fase

Na manhã desta quarta-feira, 29, em entrevista ao programa Timeline, da Rádio Gaúcha, a diretora-assistente da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a área de medicamentos, vacinas e produtos farmacêuticos, Mariângela Simão, destacou que desenvolver uma vacina é um processo longo, que leva, em média, 10 anos. 

— Eu diria que um ano é perto. Não é semana que vem — disse, respondendo à pergunta se estamos próximos de ter uma vacina.

Mariângela também falou que a OMS mantém um banco de dados sobre as vacinas, mas que não tem muitas informações sobre a que é desenvolvida na Rússia, diferentemente do que acontece com outras candidatas que já avançaram para a última etapa.

De acordo com a CNN, os russos alegam que a rapidez no desenvolvimento se dá porque ela foi uma versão modificada de outro imunizante criado para combater outras doenças.

 

Com informações da GaúchaZH
 

COMENTÁRIOS

Os comentários no site não são moderados e são de inteira responsabilidade de seus autores. Utilize este espaço com elegância e responsabilidade. Ofensas pessoais e palavras de baixo calão serão excluídas.
PUBLICIDADE
13 - Dedetização Daniel
PUBLICIDADE
13 - Zooclínica