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Memórias da Várzea

Do nome improvável à geração tricampeã regional, clube de Ametista do Sul acumula histórias curiosas e se orgulha de trajetória repleta de títulos

Publicado em 21/09/2020, última alteração em: 22/09/2020 15:27.

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Poucas pessoas em Ametista do Sul possuem a habilidade e a autorização para abrirem a estante de troféus da Sociedade Esportiva Granada. Claro que a prateleira, montada em formato de uma vitrine suspensa, no bar do clube, é uma espécie de área sagrada para atletas e torcedores do time que farda as cores verde e amarelo. Mas não é esse o único motivo que faz com que Ederson Vianini, 37 anos, guarde com segurança absoluta a chave do local.

Zagueiro sempre que pode e zelador do Granada em tempo integral, ele é um dos poucos que tem a perícia necessária para mover alguma peça da vasta galeria de troféus sem fazer tudo vir abaixo. São pilhas de taças, não há mais espaço, e qualquer movimento em falso pode fazer desmoronar os símbolos da vitoriosa história do clube ametistense. A quantidade de taças conquistadas pelo clube obrigou a diretoria a fazer um “puxadinho” na galeria de troféus. Ao lado da vitrine principal, outra caixa de vidro suspensa guarda relíquias, camisetas e troféus.Mesmo Ederson, ou Eder, como é chamado, tem dificuldade para abrir as portas dessa estante, abarrotada de objetos que contam a história do clube.

Um clube “incendiário”

Se os objetos pesados e grandes ocupam bastante espaço nas prateleiras, é um item minúsculo, que se pode carregar do bolso, que começa a contar a história do Granada, ou pelo menos explica o nome do clube. Por volta de 1977, depois de uma divergência com integrantes do União – agremiação esportiva mais tradicional de Ametista e rival histórico do time verde e amarelo –, alguns atletas decidiram fundar um novo time.

Tudo já estava encaminhado: a sede onde seria o campo, as cores e a vontade de jogar futebol. Só faltava o nome. Em uma das discussões para definição do impasse, Antônio Fainello, buscando inspiração para nomear a nova agremiação, decidiu acender seu cigarro de palha. Foi então que percebeu o nome se escrevendo bem em suas mãos. Tirou da marca da caixa de fósforos a nomenclatura do novo clube: Granada.

– Foram para um torneio e precisavam inscrever o time. Era aqueles campeonatos de fim de semana, começava em um sábado e terminava no domingo. Daí lá o Fainello disse ‘ninguém sabia que nome ia dar. Olhei a caixa de fósforo que eu estava acendendo meu ‘paiêro’: Granada. Então é Granada o time’– conta Eder. Ainda que o dito artefato tenha se perdido ao longo dos mais de 40 anos de clube, o “causo” que relembra a fundação do time repercute até hoje.

Um time de família

Entre os fundadores, Fainello era um dos poucos com esse sobrenome. Na verdade, a origem do clube é marcada por uma escalação “familiar”. Entre os precursores do Granada, praticamente todos da família Piovesan participaram das ações que deram início às atividades do time verde e amarelo, como o Genésio, Leopoldo, Adair, Valdemar, Luís Antônio, Leonides, Valmor, Vilmar e Jaime. Ao lado deles, outros personagens foram fundamentais para a formação do clube, como Afonso Oliveira e Nerci da Silva Dutra.

Daí em diante, com o clube já estruturado, o que se viu foi o surgimento de um time com espírito vencedor na comunidade, que na época ainda era chamada de São Gabriel, distrito de Planalto. Nos campeonatos municipais, a equipe começou a fazer história, vencendo torneios envolvendo equipes planaltenses. Tais conquistas permanecem sob o zelo de Eder, envolvidas pelos demais feitos.

Os imbatíveis da virada de século

Anos depois de se consolidar em nível regional e já representando a cidade de Ametista do Sul, o Granada viveu aquele que ainda hoje é lembrado como um dos momentos mais marcantes de sua história. Entre 1999 e 2001, a torcida granadense viu o time sair de campo derrotado em raras oportunidades. Foi, definitivamente, um período em que o Granada estava imbatível.

Entre os ex-atletas daquele esquadrão, o número de derrotas é consenso. “Foram duas derrotas em três anos”, recorda o centromédio daquele time, Alaércio Piovesan, hoje com 53 anos. A sequência impressionante se explica pelas conquistas no período. O elenco foi tricampeão de um famoso campeonato regional, que envolvia clubes de dezenas de municípios. “Pegava todos os times de Sarandi para baixo. No último ano foi ganhado do Ipiranga de Sarandi. Foi perdido só dois jogos em três anos”, relembra o ex-centromédio.

Junto de Piovesan, o elenco tinha nomes como o do também centromédio Cleone Martini – atual presidente do clube –, do ala/lateral Jucemar Cadena, do lateral direito e centroavante Adriano Piovesan, granadenses que ajudaram a contar os fatos aqui descritos. Os campeões ainda listaram uma série de jogadores, que fizeram parte daquele time histórico, a começar pelo goleiro Elton Piovesan, presente nos três títulos.

– Você consegue escalar o time? – questiona Eder para Alaércio.

– Você quer saber o apelido ou o nome completo? – responde o ex-centromédio.

Assim, a lista que segue é um relato de personagens que hoje são lembrados como ídolos daquelas três conquistas. Além dos já mencionados, participaram das campanhas vitoriosas nomes, ou apelidos, como Zeca Colla, Sidão, Vitor Hugo, Bortolussi, Macuco, Altieres, Sandrão, Bira, Neguinho Rocha, Pé de Ferro, Daniel Brombilla, Sidinho Alves, Nego Osmar, Roque de Luca, Cica, Molinha, Lelei, Pipi, Edivan, Fabinho e Jadir, o artilheiro.

A bola que virou troféu

Em meio a tantas memórias suspensas nas estantes de troféus do clube, repousa uma bola murcha. Quem olha o item imagina se tratar de uma bola esquecida, que aguarda um pouco de ar para voltar a rolar no gramado situado ao lado do ginásio granadense. Mas, antes que o repórter se enganasse com a conclusão precipitada, Alaércio explicou o real – e justo – motivo da presença da bola naquelas condições. “Essa bola eu furei com um chute”, afirma o ex-atleta.

A história, confirmada por todos os presentes na sala de troféus/bar do Granada, se deu em algum dos jogos ocorridos naquele triênio 1999-2001. Para explicar em detalhes o fato, Alaércio vai até o campo, se dirige à porção central do gramado e dá uns passos para a direita. De frente para a goleira, que fica perto do ginásio, ele relembra. “Chutei daqui, direto no gol. A bola foi reta na junção das traves e estourou. Lembro até hoje do barulho”, conta. Para um time com a nomenclatura que possui, nada mais justo do que guardar na sala de troféus uma história “explosiva” como essa.

Presente ativo e clube fortalecido

Apesar do fim da era dourada, o Granada segue sendo um dos clubes mais respeitados da região. Ainda que haja uma dúvida entre os agora jogadores da categoria máster sobre o total de títulos, o clube é dono de sete ou oito troféus do Regional de Veteranos, tendo conquistado o último diante do Harmonia, de Pinheirinho do Vale.

O clube também é beneficiado pela realidade de Ametista do Sul, um dos poucos municípios da região que não encontra dificuldades para organizar um campeonato municipal. Assim, o Granada segue em plena atividade, “sobrando gente” para as categorias livre e veteranos. Nos certames locais, o time detém diversos títulos e, além de cultivar a rivalidade com o União, mede forças com várias equipes do interior, muitas delas formadas por times de garimpeiros.

Assim, os pouco, mais de 200 sócios ativos do Granada possuem motivos contemporâneos e históricos para seguirem apoiando e participando das atividades do clube multicampeão. Família pelo sangue e pela amizade, vencedor por natureza e ícone regional pelo desempenho dentro de campo, o Granada seguirá sólido como uma ametista, tornando o município da rocha violeta um pouco mais verde e amarelo.

 

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