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Talento lapidado em casa, Ian Mazzotti recebe orientação do pai e, sem deixar resultados “subirem à cabeça”, encara esporte na base da diversão

Publicado em 18/01/2021, última alteração em: 19/01/2021 16:38.

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11 - Ótica Buligon

A descontraída conversa durante a preparação para mais um “treininho” nas quadras do Clube Ipiranga, em Frederico Westphalen, resume bem a entrosada relação entre pai e filho. Além da natural ligação familiar, a amizade cultivada por Ian Mazzotti, nove anos, e Diogo Mazzotti, 41 anos, pode ser uma das razões que explicam o sucesso do jovem tenista frederiquense, detentor de uma série de troféus estaduais e nacionais.

Destaque recorrente nas páginas do AU, Ian frequentemente disputa campeonatos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, mesmo que o deslocamento para tais competições sempre seja um dos principais adversários. Apesar da distância até os principais centros do tênis no Sul do país, os bons resultados conquistados pelo frederiquense animaram a família e amigos, criando a expectativa de que Ian se tornará profissional consagrado.

Desde os quatro anos, quando em uma brincadeira nas quadras de saibro do Ipiranga pegou na raquete pela primeira vez e surpreendeu o pai pela precisão com que rebatia as bolinhas, Ian vem demonstrando crescimento exponencial. Em 2019, por exemplo, depois do vice-campeonato da Brasil Tennis Cup, o frederiquense foi um dos seis gaúchos da sua idade a ser convocado pela Confederação Brasileira de Tênis para o Encontro Internacional de Treinamento Kids. O evento é uma imersão em treinamentos do esporte, com profissionais e atletas de todo o mundo. Um ano depois da formação e do vice-campeonato, Ian conquistou o primeiro lugar na Brasil Tennis Cup 2020.

Infância em primeiro lugar

Se o sentimento da família em 2019 era de que o brincalhão menino se tornaria uma estrela do tênis, o esporte colocou as pessoas certas na carreira do frederiquense, como os treinadores e professores, que orientaram Diogo e os demais familiares a não criarem expectativas exageradas, o que poderia se reverter em pressão para Ian.

Com o verdadeiro significado do esporte em mente, Diogo passou a incentivar a participação de Ian em torneios e campeonatos. “Tentamos ir em todos aqueles que for possível, pelo menos uma vez por mês. Nem sempre conseguimos, mas queremos que o Ian jogue, interaja”, afirma o pai e amigo de Ian. Ainda que o espírito de competitividade do tenista se sobressaia e faça o menino querer vencer todos sempre, derrotas são encaradas com naturalidade e maturidade.

Sem o “peso” de manter os bons resultados recentes em futuras competições, o menino vai ganhando mais do que troféus em suas viagens. Segundo Diogo, se Ian melhorou significativamente dentro de quadra, fora dela o esporte contribuiu para o desenvolvimento do menino. “O Ian não falava, era bem quietinho, e agora conversa bem, perdeu a timidez”, relata o pai, enquanto brinca com o tenista.

Com esse pensamento, as pretensões dos pais de Ian também estão se concretizando. O menino se desenvolve com saúde e segue apaixonado pelo esporte, tanto que é ele quem dia após dia “arrasta” o pai para as quadras do Ipiranga. “A gente faz uns 30 a 45 minutos de treininho e depois fazemos joguinho. É um dia aqui na quadra e um dia em casa”, descreve Ian, fazendo referência aos bate-bolas com a parede da garagem, em casa, nos dias em que não vai até o clube.

As dificuldades fora de quadra

Se para Ian a maior dificuldade no esporte é usar boné, Diogo traz relatos que mostram os desafios que o tenista e a família terão pela frente nos próximos anos. “A dificuldade é que é um esporte de elite, muito caro. A partir dos 12 anos até os 16 anos, os atletas gastam no mínimo R$ 5 mil por mês. Uma raquete adulta custa R$ 1,5 mil, enquanto que a semiadulta, de transição, é R$ 800”, afirma o pai.

Outras dificuldades destacadas por Diogo dizem respeito ao deslocamento até os locais das competições. Normalmente, o calendário do tênis no Sul do país conta com competições em Chapecó (SC), Passo Fundo, Santa Cruz do Sul, São Leopoldo, Porto Alegre, Gramado, Criciúma (SC) e Florianópolis (SC). Em todo caso, há custos com a viagem e a estadia.

Sair de Frederico Westphalen também passou a ser uma necessidade para que Ian faça seus treinamentos com o acompanhamento profissional. Se em FW é Diogo quem ajuda o filho, os principais treinos são em Palmeira das Missões, onde reside o professor de tênis de Ian. Todo o sábado, pai e filho pegam a estrada para um novo dia de preparação.

Uma semana de cada vez

Fã do tenista Roger Federer, Ian ainda está longe de uma carreira na qual possa se tornar um profissional do esporte. Tal pensamento está consolidado para Diogo, que não vê razão para projetar metas. Acima de tudo, o pensamento é em estimular o gosto de Ian pelo esporte.

– A meta é pensar de semana em semana. A gente nem pensa lá em cima, em grandes coisas, porque é muito difícil chegar lá. Não que a gente não vá chegar, mas não podemos pensar nisso. Temos que pensar degrau por degrau, um atrás do outro. O primeiro passo é pensar em evoluir dentro da quadra – relata.

Para se ter uma ideia da importância de seguir incentivando e trabalhando o psicológico de Ian, Diogo traz um exemplo de como o esporte pode gerar expectativas falsas.

– Tem gurizada que ganha tudo quando é novo, mas não significa nada que vai ganhar lá na frente. E tem cara que não ganha nada quando é pequeno, e depois ganha. O Guga, por exemplo, não ganhou nada até os 11 anos. O grande salto é entre os 12 e 13 anos, é o momento crucial – atesta.

Enquanto o momento não chega, as dificuldades já superadas pelo menino, pai, mãe e avós se tornam combustível para novos desafios e conquistas. Transpondo distâncias, superando as barreiras financeiras e abraçados como uma família deve ser, eles têm a certeza e que o futuro de Ian será repleto de sucesso, alegrias e bons momentos, sejam eles dentro ou fora das quadras.

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