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Reconhecimento

Iniciativa foi desenvolvida pela Escola Estadual Tomé de Souza, da localidade de Sertãozinho

Publicado em 16/04/2021.

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Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), órgão da ONU que lida com alimentos e agricultura, desde o ano de 1900, 75% da diversidade genética das plantas foram perdidos, porque os produtores rurais deixaram de cultivar variedades locais, preferindo materiais de alta produtividade. Ainda, segundo a entidade, nos últimos cem anos, o número de plantas comestíveis conhecidas e utilizadas pelo homem caiu de cerca de 10 mil para 170.

No entanto, vem crescendo um movimento pela melhoria da qualidade de vida, e a alimentação tem papel importante nesse sentido. Plantas como capuchinha, araruta, batata-cará, peixinho, crem, porongos comestíveis, hibisco e inhame, vegetais denominados plantas alimentícias não convencionais (Panc) são opções viáveis para manter um estilo de vida mais saudável e em consonância com a natureza. Isto porque tais plantas se caracterizam pela rusticidade. Nativas ou endêmicas, não necessitam de grandes tratos culturais, especialmente agrotóxicos, por estarem aclimatadas às regiões de ocorrência.

Nesse sentido, há vários anos, a Escola Estadual Tomé de Souza, de Sertãozinho, Alpestre, realiza o trabalho denominado “Resgate da biodiversidade vegetal na alimentação”, uma atividade em que são pesquisadas com as famílias as plantas que eram cultivadas para a alimentação antigamente, as Panc. “Captamos as mudas e/ou sementes e as plantamos na horta escolar, em canteiro próprio. A distribuição das espécies à comunidade, por sua vez, é feita em uma das oficinas do Seminário Municipal da Agricultura Familiar, em sua 10ª edição em 2021 (desde 2020, o evento é realizado de maneira virtual)”, explica a professora, Juliana Marcia Piotrowski.

Produção e lançamento de livro

De acordo com a professora, foram anos de estudo, num intercâmbio de conhecimento com a comunidade local. “Todos ganharam, os moradores locais, pela valorização de seus saberes, os alunos, pela sistematização/construção do conhecimento, através da pesquisa sobre a biodiversidade local e elaboração de textos nos mais variados gêneros, e a escola, pelo estreitamento dos laços com a comunidade. Nesse sentido, em 2019 foi lançado o livro “Panc: de volta para o futuro”, com descrição das espécies resgatadas e indicação de receitas com uso das variedades, o qual foi distribuído à comunidade escolar”, relata Juliana.

Destaque na Olimpíada de Saúde e Meio Ambiente

Além de toda a troca de conhecimento entre alunos, professores, pais e comunidade, o projeto também foi reconhecido pela Fiocruz. “Temos mais um motivo para comemorar. Em 2020, submetemos o projeto das Panc ao concurso da Olimpíada de Saúde e Meio Ambiente (OBSMA), da Fiocruz, no qual já somos Destaques Regionais, honraria que será anunciada na cerimônia de premiação on-line na quinta-feira, 22. Quem diria! Do fundo do quintal da avó, as Panc têm muito a nos ensinar, principalmente sobre como conviver harmoniosamente no meio ambiente. O futuro já começou. E nada mais apropriado que seja na escola”, finaliza Juliana.

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