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E-sports

Adriano Cerato, de 24 anos, está em São Paulo desde a semana passada para participar do torneio que reúne as melhores equipes do Brasil do game

Publicado em 17/02/2020, última alteração em: 17/02/2020 13:49.

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11 - Razia

Estádios lotados, premiações milionárias e coberturas televisivas grandiosas deixaram de ser exclusividade de esportes como o futebol há algum tempo. Recentemente, o mercado dos games passou a ser três vezes mais rentável que o do cinema, e as competições dos jogos eletrônicos, os e-Sports (do inglês, eletronic sports, ou esportes eletrônicos, em português) renderam, por si só, mais de US$ 1 bilhão de dólares em 2019.

As grandes competições vêm distribuindo milhões de dólares aos vencedores ao redor do mundo todo, com campeonatos nacionais e internacionais. E não é diferente no Brasil. Na última quarta-feira, 12, o Campeonato Brasileiro de Counter Strike: Global Offensive, o CS:GO, começou na cidade de São Paulo, reunindo atletas de todo o país. Entre os competidores está o frederiquense Adriano Cerato, 24 anos, capitão da equipe Bravos Gaming. Cerato, ou “Woody”, como é conhecido no game, é um dos destaques do cenário competitivo do jogo e apontado como uma grande promessa do esporte.

O Global Offensive é uma continuação da série de jogos de tiro Counter-Strike, muito popular no mundo dos games. O jogo consiste no enfretamento de dois times, um de terroristas e outro de contra terroristas, que lutam entre si. Apesar da premissa simples, as partidas envolvem grandes estratégias, treinos intensos e um forte trabalho em equipe.

Em entrevista exclusiva ao AU, o jovem atleta contou, entre outras coisas, como se tornou profissional, os maiores desafios da carreira e o preconceito sofrido, vindo daqueles que não reconhecem a modalidade como “esporte de verdade”.

AU: Como começou sua trajetória no esporte?

Adriano Cerato – Eu jogo há muito tempo, comecei em uma versão mais antiga do CS. Antigamente, a galera aqui de FW ia para as lan houses jogar, tinha uns 10 times daqui. Acabou que eu comprei o jogo e comecei a jogar on-line, e aí eu vi que era totalmente diferente jogar na internet. Fiquei dois ou três anos jogando na internet, competindo, assistia todos os jogos e todos os campeonatos que tinha. Só que lá em casa meus pais nunca gostaram, se agora já é difícil explicar, imagina oito anos atrás. E meu pai sonhava que eu me tornasse um jogador de futebol, aí conflitava isso. ‘Ele fica o dia inteiro em casa no computador e não vai treinar’, me dizia. Criou esse impasse, aí eu parei de jogar futebol, com uns 14 ou 15 anos, fiquei dois anos sem jogar nada. Aí eu fui para o Sub-20 do União Frederiquense, no primeiro ano que teve aqui, só que acabei parando de jogar CS também, por causa da pressão dos meus pais. Foi aí que iniciei minha faculdade de Engenharia Civil e fiquei três anos sem jogar nada. Um dia fui jogar uma partida brincando e deu o acaso de encontrar um cara que jogava na minha equipe há muitos anos, e ele me reconheceu. Foi aí que voltei. Eu levava o notebook na aula e ficava treinando, os professores me odeiam, se falar meu nome na universidade vão dizer que “é o cara que levava o notebook”. A partir daí comecei a competir de novo.

AU: Como foi a transição do amador para o profissional?

Cerato – Eu comecei a jogar por diversão e aí fiz uma rede de amigos e fui cada vez crescendo mais. Comecei lá embaixo, mas conhecia muita gente influente no jogo. Quando você joga campeonato acaba aparecendo para os outros, os outros times começam a ver você e vai crescendo. Tudo no jogo é assim.

AU: Qual foi o primeiro campeonato como profissional?

Cerato – Foi um qualificatório brasileiro de um campeonato mundial, mas eu não tinha muita dimensão, aí não considero tanto. E o presencialmente foi a GC Masters [importante campeonato brasileiro da modalidade] do ano passado, quando fui para Maresias, em São Paulo, e joguei um campeonato onde estavam os melhores times do Brasil. Na internet você joga muitos campeonatos contra os melhores times, mas nem sempre presencialmente. E agora vou para São Paulo disputar o Brasileirão. É o maior campeonato do semestre no país. Vou ficar três meses morando em uma gaming house.

AU: Como funciona a gaming house?

Cerato – É um alojamento, literalmente. Eles pagam alimentação, transporte, moradia, academia, psicóloga. Meu antigo time tinha uma psicóloga que era do Comitê Olímpico Brasileiro, do time de handebol. O alojamento oferece tudo.

 AU: Hoje você vive das competições?

Cerato – Eu poderia viver somente das competições, mas como meu pai tem uma empresa na cidade, acabo ajudando-o também. É um pouco ruim para o jogo, porque eu não consigo treinar direito, sendo difícil conciliar tudo, mas não posso simplesmente largar. A partir das 15 horas, quando saio da empresa, começo a treinar.

AU: Como funciona a rotina de treinos?

Cerato – A gente começa, normalmente, às 15 horas ou 16 horas. Então, fizemos um treino tático por umas duas horas e pausa de uma hora. Voltamos às 18 horas e jogamos quatro mapas [cada mapa é um cenário diferente no jogo, com suas particularidades], aí por umas 22 horas fizemos um intervalo, janta, e o fim da noite é treino individual. É uma rotina que coloca a gente, no mínimo, 10 horas na frente de um computador.

AU: As equipes têm alguma espécie de treinador?

Cerato – Toda equipe tem um capitão, que gerencia as táticas de jogo do time e um treinador. No nosso time eu sou o capitão. São esses caras que fazem toda a gerência do time, como horários, treinos, táticas.

AU: Nesse tempo, você chegou a competir em algum campeonato internacional?

Cerato – Internacional nunca consegui jogar, o máximo foi um campeonato do México, mas a distância, e ficamos em segundo lugar. Nós iriamos ir até lá, mas meio que o time trocou e a gente não conseguiu ir. É meio que o sonho hoje conseguir uma vaga em um campeonato internacional.

AU:  Você é capitão e já está competindo nacionalmente. Qual nível busca agora?

Cerato – Penso que o nível que quero estar amanhã é um time que mora e treina nos Estados Unidos. Quero chegar em um patamar, mas o Brasil é pequeno e você tem que ir para fora, treinar lá. O CS no Brasil tem umas quatro, cinco equipes, que jogam lá fora, que são a MIBR, INTZ, Sharks e Fúria. Inclusive, a Fúria, quando ela formou, era para eu ter jogado, era um dos nomes favoritos. O próprio Kscerato [outro jogador profissional brasileiro] que joga na Fúria, foi jogando em nosso time que ele chegou lá. Hoje ele é um jogador que ganha 10 mil dólares. É outro patamar, é aí que eu quero chegar.

AU – Como é o apoio que recebe das pessoas?

Cerato – Eu recebo bastante mensagem da galera daqui que assiste, tem muita gente que me conhece e eu não tinha noção. Agora mais ainda, com os resultados melhorando e crescendo, o pessoal começa a apoiar. Todo jogo tem muita gente de FW que manda mensagens, e lá fora é mais ainda, porque quando você vai em um evento o

pessoal te conhece e até pede autógrafos.

AU – Quanto aos equipamentos, é um investimento alto?

Cerato – Hoje, para jogar CS em alto nível, tem que ter um computador que custe pelo menos uns R$ 3 mil. É um investimento considerável. O principal é o monitor, você tem que ter um monitor de 144 ou 240 hertz [taxa de reprodução de imagens por segundo]. Eu tenho um de 240hz, que paguei R$ 2.700. Ele te dá muita vantagem, pois um milésimo a mais ou a menos é tempo para você, o inimigo, morrer. Eu gastei entre computador e monitor um investimento de R$ 6 mil. Apesar de ganhar bastante equipamentos nos campeonatos, acabo usando sempre o meu.

AU – Para encerrar, como surgiu o seu apelido no jogo, que é “Woody”?

Cerato – Eu assistia o desenho do Pica-Pau na TV com o meu pai, e em inglês o nome do personagem é “Woody Woodpecker”, então usava esse nome quando comecei a jogar nas lan houses, mas ficava muito feio, então deixei só “Woody”, e agora adicionei o “7” [Wood7]. Na minha cabeça, o número serviria para substituir o “y”, mas acabam falando “Woody sete” (risos).

 

Transmissões on-line

As partidas podem ser assistidas ao vivo nas redes da Clutch Circuit, no YouTube, Twitch e Facebook.

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