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Artigo do leitor

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Publicado em 25/04/2020.

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11 - Razia

Não estava neste mundo nesta época, mas ao pesquisar quais foram as causas e consequências da crise mundial de 1929, denotam-se muitas semelhanças em relação aos aspectos econômicos atuais, caso a pandemia do coronavírus persistir por muito tempo.

A crise de 29, conhecida também como a “Grande Depressão”,proporcionou uma grande recessão econômica no mundo, tendo como principais causas a superprodução industrial, desacompanhada do poder aquisitivo da sociedade e a especulação financeira.

A crise de 29 teve como anfitriã os americanos, mas que acabou atingindo todos os mercados internacionais, com exceção do mercado Russo, que apresentava economia isolada em função do regime comunista.

As principais consequências apresentadas estavam ligadas à diminuição da produção industrial mundial, levando muitas empresas à falência, a elevada taxa de desemprego (nos EUA mantinha uma taxa de 4% chegou a 27% de desempregados na crise, Grã-Bretanha: 23%, Bélgica: 23%, Suécia: 24%, Áustria: 29%, Noruega: 31%, Dinamarca: 32%, Alemanha: 44% de desempregados), choque de demanda muito forte, redução das supervalorizadas ações de empresas, redução de preços de commodities de baixo valor agregado, desaceleração do comércio internacional de mais de 1/3, quedas de Produtos Internos Brutos (PIBs) dos países.

Neste período, o Brasil foi atingido com intensidade no setor cafeeiro, com uma drástica redução de preços e cancelamentos de exportações. Neste período, o Brasil era responsável por cerca de 70% do café comercializado no mundo. Os Estados Unidos era o principal cliente do café brasileiro, responsável pela aquisição de 80% de nossa produção. Houve estrago e destruição de grandes quantidades de estoques de café no Brasil.

Semelhanças a este período do ciclo do café, atualmente ocorre na atual dependência na comercialização de commodities em especial, de soja que possui como principal comprador os chineses, que não reduziram seus volumes de importações até o momento.

Paralelamente a esta contextualização dos principais fatos ocorridos em relação à crise de 29, estamos diante de uma pandemia do coronavírus, que se dissemina de forma agressiva sem respeitar barreiras tarifárias, classificar pessoas por estratificação social e localização geográfica.

A preocupação mundial neste momento deve ser com a vida das pessoas, mas as consequências nas economias são incalculáveis, caso este cenário persistir por muito tempo.

O fato é que gradativamente se evidencia desaceleração dos mercados mundiais em muitos setores, aumento no desemprego, redução de consumo, fechamento de empresas, em especial as micros e pequenas empresas, redução dos valores dos PIBs em escala global, com semelhanças à crise de 29. No que se refere ao sistema financeiro global e em especial no Brasil, o sistema está mais controlado e capitalizado, com menor risco de contágio, em relação à crise de 29.

De acordo com Ignacio Fariza, Jornal el Paíz de 15/03/2020, uma das grandes diferenças desta crise é que o impacto é sequencial: como se fosse um tsunami, o vírus golpeou primeiro a China, depois chegou ao Irã e à Coreia do Sul, e agora abala a Itália e o resto da Europa ocidental (...)., chegando ao resto do mundo.

A continuidade da pandemia do coronavírus deve aprofundar uma crise global, pois a desaceleração na economia faz com que se você empobrece, seu vizinho acaba empobrecendo também afirma Joan Roses, responsável pelo Departamento de História Econômica da London School of Economis.

Diversas medidas governamentais estão sendo adotadas pelos países e que são inevitáveis para amenizar os estragos gerados em suas economias. O incentivo ao crédito, em especial ao capital de giro a micro e pequenas empresas, aumento no auxílio a pessoas em vulnerabilidade social, a postergação de vencimentos de tributos e demais linhas de créditos, financiamentos e refinanciamentos, carências, são algumas medidas que visam amenizar o fechamento de empresas e á redução do desemprego.

Por outro lado, fica registrado um aumento nas contas públicas dos países, com risco de calote por endividamento público e indicativo até de uma nova crise econômica no futuro, tendo em vista o montante de recursos governamentais desembolsados. O tempo de permanência da pandemia é que vai mostrar o tamanho do rombo primordialmente nas contas públicas e nas economias.

Quem sabe a definição e implementação de um plano estratégico com vistas a recuperar as economias dos países (a exemplo do Plano Marschall) poderia ser uma medida salutável, caso o ciclo da pandemia perdurar por muito tempo.

 

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