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Suinocultura

Outro impacto causado pela pandemia é o aumento do custo de produção dos animais

Publicado em 27/04/2020.

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11 - Razia

As medidas adotadas para impedir o avanço do novo coronavírus no país, especialmente em São Paulo, maior mercado consumidor de carne suína do Brasil, vem trazendo impactos na suinocultura. No Estado, de acordo com a pesquisa da Associação de Criadores de Suínos do RS (Acsurs), nesta semana, a queda na Bolsa de Suínos no RS já chegava a 26,1%. Na terceira semana de março, o preço pago pelo quilo do suíno vivo aos produtores independentes era de R$ 5,42. Após sucessivas baixas, que ocorreram também nos demais estados produtores de proteína animal, o valor caiu para R$ 4,01. No Estado vizinho, em Santa Catarina, no mesmo período, a queda registrada chegou aos 30%, segundo a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), passando de R$ 5,67 para R$ 3,97.

Conforme o empresário e proprietário da Suinocultura Acadrolli, de Rodeio Bonito, Sady José Acadrolli, a região também vem sentindo os reflexos negativos. Além do preço baixo do suíno vivo, uma das principais dificuldades hoje está sendo a colocação do suíno no mercado. “Nós vendemos para 18 frigoríficos e o mais difícil está sendo para o Estado de São Paulo, pois em virtude da pandemia não está quase tendo consumo lá. Os restaurantes, que são os grandes consumidores, estão praticamente todos fechados. Além disso, o preço do suíno despencou, sendo que estamos comercializando bem abaixo do preço de custo”, contextualiza Acadrolli.

De acordo com o proprietário, os impactos ainda são mais fortes na indústria. “O produtor trabalha com a conversão alimentar. Então, o que pode acontecer é atrasar o carregamento uns oito ou 10 dias, mas estamos administrando proporcionalmente e com muita fé que isso vai passar”, explica o empresário.

Para o suinocultor de Cerro Grande, Alvaro Decarli, tanto o carregamento dos leitões   quanto a entrega da ração aos animais seguem normalmente. “Para nós aqui está tudo certo. Não estamos tendo problemas com o recolhimento dos animais e nem com a entrega dos insumos”, relata Decarli.

 

Aumento do custo de produção

De acordo com o engenheiro-agrônomo e ex-secretário de Agricultura de FW, Cléber Cerutti, a influência hoje do custo de produção dos suínos está diretamente ligada ao custo de produção do milho e da soja. “Como o Rio Grande do Sul está passando por um período de seca é certo que o impacto vai vir com o aumento do valor destes dois ingredientes da ração, que determinam cerca de 70% do custo dos suínos. Além disso, a pandemia impacta diretamente no custo do dólar, então como a soja tem uma cotação em dólar e o milho também tem uma influência muito forte, automaticamente estes dois insumos vão subir”, explica Cerutti.

 

Indústria absorve prejuízo

Para o engenheiro-agrônomo, apesar dos reflexos recentemente no aumento do custo de produção dos suínos, a indústria viveu nos últimos anos um cenário promissor nas exportações. “A indústria teve um ganho com relação às exportações e ao próprio valor do suíno na exportação, que subiu bastante nos últimos tempos. Então, não sei se isso é cenário para dizer que hoje o mercado está difícil. Subiu o custo, baixou valor, mas a indústria tem muita gordura para ser queimada ainda antes de impactar o produtor. É evidente que o produtor independente, que são poucos, ele teve seu ganho, vendeu o suíno o preço muito bom, acima de R$ 5, e teve uma lucratividade muito boa, e agora ele está com a margem de lucro apertada, mas mesmo assim tem margem de ganho. Já o o integrado ele sempre vem com uma margem apertada nos últimos anos. Eu sofri muito com isso e os suinocultores também, mas a grande maioria dos integrados ganha pouco pelo trabalho que se tem e o investimento que se precisa na suinocultura. Então 99% dos produtores vão continuar no mesmo barco que já estão seguindo, com essa mesma margem de lucro. É do próprio sistema da cadeia de produção integrada, a indústria absorver um ganho maior, e o risco também, e ficar com maior lucratividade e nos períodos de baixa do valor do produto, aonde há um prejuízo, ela absorver o prejuízo e manter o equilíbrio no valor pago ao produtor integrado. Assim, ele não tem um valor acentuado nem uma perda acentuada”, analisa Cerutti.

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