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Olá humanos, Paulo Henrique Cadoná aqui. Pedagogo de 23 anos, que acredita em uma educação com pilares sólidos, em uma cultura e arte capazes de transformar, dar cor e sabor à vida. É sobre isso que falo, essa é minha bandeira... Chega junto!

2020 PARTE II: HORA DE ACABAR COM A ED. INCLUSIVA

Nas "doces palavras" desse decreto está o veneno amargo da exclusão. Está a manutenção de uma sociedade capacitista, de uma sociedade que discrimina e de uma sociedade preconceituosa

Tags: pessoas, família, escola, educação dos filhos, polêmica.

Publicado em 16/10/2020, última alteração em: 16/10/2020 15:36 por Paulo Henrique Cadoná.


Difícil não considerar dois mil e vinte como um ano desagradável. Ao nos depararmos com o cenário da educação - onde diante da fastidiosa e preocupante pandemia já tivemos o regresso de alguns discentes às escolas - também recentemente tivemos a publicação do Decreto 10.502, trazendo uma nova política para a Educação Especial, sendo considerado um enorme retrocesso para os especialistas que defendem a Educação Inclusiva.
Para entendermos bem, vejamos o que temos atualmente: Hoje as escolas devem matricular, isto é, incluir e receber todos os alunos, trago à luz os que fazem parte do público da Educação Especial. Após muitas lutas e conquistas, foi um ganho significativo para a evolução do sistema educacional e para a sociedade, já que todos podem conviver e aprender uns com os outros. Se você nunca refletiu sobre a importância da CONVIVÊNCIA para o desenvolvimeto do respeito, da tolerância, da paciência, do conhecer e entender o outro, a hora é agora.


Quando falamos em diversidade, falamos em diferença, saber conviver e dar paz aos estereótipos e pré conceitos incutidos em nossas mentes algum dia. Saber que é prejudicial para o nosso futuro e o futuro das crianças não tolerar, ou ainda, discriminar qualquer ser humano. Outrossim, também manifesto zelo pelos ganhos que este aluno da educação especial tem ao conviver com os demais alunos, aprendendo também ele a viver em uma sociedade diferente da dele, e da mesma forma os professores e toda a comunidade.


Este novo Decreto, (10.502/2020) traz uma flexibilidade aos pais optarem em matricular seu filho em uma escola regular ou em uma escola especializada. Okay, é direito dos pais decidirem o que é melhor para seus filhos, claro, cada caso é um caso, a subjetividade tem sua importância e o sentir-se bem do aluno também. O que as pessoas não estão enxergando é que frente a todo o esforço feito para se conseguir a inclusão em nosso sistema educacional, existe ainda muita luta em prol de um governo que invista cada vez mais em infraestrutura adequada para receber esses alunos e também em profissionais e professores capacitados para desenvolver um trabalho significativo e de qulidade. Quando não há esse investimento a qualidade é afetada e prejudicada.


Não quero ser mal interpretado defendendo as escolas regulares ante às escolas especializadas, reconheço a importância das duas e ressalto a subjetividade das crianças - cada caso é um caso - porém, as escolas especializadas têm mais um caráter assistencialista do que educacional e prezo pelo desenvolvimento global do aluno. Minha preocupação é com a geração de uma sociedade capacitista que o decreto está trazendo.
Com esse decreto é como se o governo estivesse lavando as mãos em relação às escolas regulares que precisam, repito: PRECISAM de alunos com deficiência para dar ainda mais significado e solidificar um desenvolvimento humano de qualidade em todos os que lá estão inseridos. EU PRECISO DO MEU DIFERENTE NO MEU COTIDIANO! Esse é o ponto. Haverá investimento nas escolas especializadas mas as escolas regulares também precisam de investimento, ou seja, é uma necessidade de todas as escolas para que de fato tudo isso aconteça com qualidade.


- Nossa, Paulo, mas quanto mimimi! - Bem, e se eu lhe disser que os municípios e estados que aderirem à este decreto, concordando com essa política de segregação das crianças, receberão um inve$timento?! Quer dizer, anteriormente todos os investimentos que necessitamos não chegavam até as escolas, há algo de estranho aqui. Além do fato de que as escolas regulares já não recebiam incentivos suficientes e adequados para uma educação inclusiva, agora, aderindo a favor da segregação e exclusão, elas serão pagas para isso. Direitos humanos que fala né?! Garantir um desenvolvimento global que fala né?!
O contraponto é que, quando se apresenta essa flexibilidade aos pais - essa possibilidade - é claro que os pais que já sentiram a discriminação na pele, os que não se sentiram bem dentro de uma escola regular, prezam pelo melhor para seu filho. Se eles têm a possibilidade de matricular sua criança em uma escola especializada, eles farão isso.


Estes alunos serão cada vez mais excluídos, se estará praticando a cultura da segregação. É necessário que se reconheça a importância da convivência dos alunos em um espaço plural e diverso. Os fonoaudiólogos, psicólogos, fisioterapeutas, tão importantes que a criança encontraria em uma escola especializada, poderão ser encontrados fora dela e, caso não se tenham condições financeiras para tal, através do SUS. (Engraçado que um investimento para otimizar e melhorar nosso sistema de saúde não ocorre aqui, para segregar pessoas que tanto lutaram por sua inclusão, sim).


Claro que fui atrás de conhecer a opinião de quem tem garantido seu lugar de fala nesse assunto, e para a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down esse decreto "afronta os princípios constitucionais da Convenção e da LBI. Nas 'doces palavras' desse decreto está o veneno amargo da exclusão. Está a manutenção de uma sociedade capacitista, de uma sociedade que discrimina e de uma sociedade preconceituosa. Somente com a convivência de pessoas com deficiência é que nós poderemos ter uma sociedade inclusiva. [...] (O decreto) é um retrocesso de uma luta de mais de 30 anos. Vamos juntos. Não a exclusão! Direito a educação é para todos!"


Agora, outro ponto de vista meu - porque sabemos que em muitas escolas há profissionais e Profissionais - é que, com a possibilidade de orientar os pais, algumas escolas dirão: "bem, nós não estamos preparados, mas vai para tal escola especial que lá eles são mil maravilhas". Então essa questão da flexibilização do decreto não é bem uma escolha, além de que se trata de um decreto totalmente autoritário em que não se teve sequer diálogo com as instituições que representam as pessoas com deficiência.


Fica aqui meu repúdio sobre este desgoverno, onde aparentemente não temos representantes preparados e com capacidade para se pensar em uma educação para todos. Temos sim, um governo deficiente com mais interesses econômicos do que qualquer outra coisa. Faço votos de que os pais de crianças com deficiência sejam felizes em suas escolhas ao pensarem na matrícula de seus filhos, temos a subjetividade de cada sujeito e desejo que todas as crianças possam se desenvolver amplamente em espaços acolhedores e preparados, com profissionais capacitados e com uma educação de qualidade. O IMPORTÂNTE É QUE A CORRUPÇÃO NO BRASIL ACABOU, já não posso falar a mesma coisa da alma de quem primeiramente ousou proferir essa frase.

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